Invest in the Countryside of Portugal

o portal da ruralidade contemporânea

Que se pode esperar dos lugares?
Uma repetição, uma réplica daqueles em que vivemos, ou o contraponto à nossa insatisfação?
Todos os lugares são únicos e intransmissíveis. Lugares eternos e sujeitos à acção do homem. Mutantes e intransponíveis na sua identidade. Onde nos perdemos e encontramos. Onde o presente é sempre o resultado de um passado. Onde tudo está prenhe de futuro.
Falar de Portugal é falar de mudança. É falar da quebra de barreiras entre um Litoral desenvolvido à custa do peso da história e de um Interior que se baseou na diáspora, no abandono e numa ancestralidade mais vincada e preservada no decorrer dos tempos contados.
Longe vão os tempos em que falar do Interior significava um desfiar de lamúrias, de delimitações, de um território distante, de uma realidade absorvida por uma ruralidade acentuada, de um isolamento ditado pela história e pelo destino. De um lamento.
Ao bulício das cidades contrapôs o silêncio da reflexão. À indiferenciação dos sabores da globalização, cuidou e adaptou a sua tradição gastronómica. À voracidade da vida urbana retirou os elementos necessários e adornou-os com a sua história de antanho.
Só nestes territórios se pode encontrar o contraste paisagístico e ambiental que torna a sua descoberta um privilégio de poucos. A amenidade climática, a clareza dos dias que se desdobra no brilho das estrelas, os sussurros das giestas inquietas, dão corpo às ‘lendas’ de um mundo separado, altivo e austero, de olhar sereno e perpétuo. Dos Verões cálidos, claros e puros, aos Invernos de ternuras envolventes. Das Primaveras e Outonos com caleidoscópios de cores, num equilíbrio sustentável resgatado ao sereno viver.
Nestes espaços as paisagens devem ser lidas à vez. Umas em traço rápido, outras com o tempo a desconto. Desfrutadas com narrativas mínimas. Que nos comovem com o seu poder de sedução. Que permitem sentir os sabores, os silêncios e a sabedoria das gentes em que o sonho ainda é possível…
A Sul uma planície dourada alentejana faz lembrar um imenso relógio de sol, onde o homem faz de ponteiro do tempo. Um mistério bem guardado na sua imensidão, onde o tempo caminha… sem chegar! Um Alentejo onde o vento suão seca a cortiça e o vento da liberdade amante e esposo ecoa e parte sem dizer adeus. Ali, onde os sabores puros e sãos dos alimentos austeros se casam com as aromáticas ervas, o doce mel e um cante alentejano em voz de choro, amparado por uma seara ondulante que nos conta histórias de sempre e de… nunca.
A montanha da Serra da Estrela, ali deitada num dorso ibérico, ao som do latido dos cães guardadores de rebanhos, deleitada na transumância de sabores órfãos e não aparentados. Ali se tecem as lãs virgens, os boréis de defesa, as mantas do aconchego. Ali se recebe a neve, pela calada, de mansinho, como se de um presente dos céus se tratasse. Ali se caldeia o leite, se junta o cardo, se atrevem as mãos frias no milagre de um queijo ímpar.
A Norte, o Douro, enleante, intrusivo, amancebado com as vertentes, adornado pelas videiras verdejantes de socalcos vinhedos, sustentam paixões de um Povo vigoroso que colhe da sua terra sonhos e encantos. Dali se suga o néctar vínico com que os deuses nos presenteiam. Entrementes, o Douro veste-se de amendoeiras em flor, lembrando um belíssimo quadro por… cantar. Tudo pedaços de viril beleza. Uma terra de homens que não têm medo senão da sua pequenez.
A mesa, ponto de encontro da alma portuguesa, ágora de olhares díspares, chama-nos num cântico de embalar e deixa-nos a árdua tarefa de agradecer aos deuses a dádiva da tradição gastronómica mantida ao abrigo dos ventos da globalização. Aqui tudo tem garantia de autenticidade.
Valor inestimável nos tempos actuais, a segurança, a tranquilidade, arregimenta-nos, cumprimenta-nos, conquista-nos pela diferença, pela afabilidade, pela cooperação, pelo sentido prazenteiro de bem-receber e de criar laços que caracteriza as gentes portuguesas.
Com o incremento das acessibilidades, viárias e de telecomunicações, com a dotação de infra-estruturas dimensionadas a outros tempos, estes espaços de repulsão adaptaram-se com novas abordagens e novos enfoques, com ligações em rede, nacionais e internacionais.
É agora possível um investimento seguro e duradouro, sustentado em recursos materiais e humanos, e, acima de tudo, numa identidade regional, numa vontade profunda de alterar o destino que a história foi traçando.

Aqui (ainda) é possível ambicionar um… caminho novo!