Investir em Portugal

o portal da ruralidade contemporânea

Novo Portugal: um DESÍGNIO de Conhecimento

Monday, Jun 2 2008 10:08 Portugal, Pólo Global e Criativo do Conhecimento

Em 2028 Portugal deverá ter atingido o 20º lugar entre os países mais desenvolvidos. Sermos um pólo Global implica estarmos abertos ao mundo, fixar mais riqueza, mais pessoas qualificadas e usar as redes globais em nosso proveito. Sermos um pólo de Conhecimento Criativo (CC) implica romper com um modelo de ensino assente na repetição e assumir um modelo de ensino assente na Paixão Criativa. Conhecimento Criativo (CC) é sinónimo de inovação, colaboração e partilha.
Do Conhecimento à Acção


A Importância da Literacia, Ensino Secundário e I&D

Em 2008 Portugal está em 29º lugar entre as sociedades mais desenvolvidas do planeta. Para atingir o 20º lugar entre os países mais desenvolvidos, Portugal terá de alcançar uma taxa de literacia e de escolaridade secundária de 98% e aumentar para 2,5% o PIB destinado à I&D.

A criação de hábitos de trabalho em rede, adoptando modelos colaborativos de criatividade e inovação.

O actual modelo económico do conhecimento baseia-se na interacção entre governo, associações empresariais e sindicatos, muitas vezes a trabalhar isoladamente. Importa incluir no modelo económico do conhecimento também as universidades, as start-ups e as grandes empresas, bem como organizações de inovação social, num esquema de funcionamento assente em redes colaborativas. Dessa interacção obter-se-á uma diminuição dos bloqueios à acção e maior capacidade de colaboração, de análise prospectiva, de inovar políticas e incentivos.

As parcerias para atingir focos de competitividade.

A excessiva concentração de I&D na esfera pública aconselha ao desenvolvimento de parcerias público-privadas, potenciando o desenvolvimento de redes, clusters, pólos de competitividade, ecossistemas e estratégias empresariais da ciência, ensino e tecnologia. O aumento para 2,5% do PIB para I&D deve querer dizer mais capacidade de investimento financeiro do sector privado e maior racionalização financeira do sector público.

Divulgar em Portugal o conhecimento feito em Portugal.

O conhecimento só é produtivo se for alvo de uso. Deve-se institucionalizar o benchmarking na área do conhecimento científico, tecnológico e da inovação, que permita difundir o muito conhecimento já produzido em Portugal. Só dessa forma se estimula a apropriação do conhecimento pelos agentes económicos privados e se obtém capacidade de alavancagem de mercados pelo sector público.

As Necessárias Redes entre a Universidade, a Banca e a Empresa.

Fazer das boas ideias negócios bem sucedidos, incentivando o capital de risco, onde licenciados têm espaço para instalar start-ups em universidades e serem financiados pela banca. A promoção de um modelo de colaboração onde a universidade fornece espaço e apoio administrativo em troca de 1/5 do capital social da empresa. Os inovadores ficam com 3/5 do capital e o banco apoiante 1/5. Necessitam-se em Portugal redes UBE (Universidade-Banca-Empresas) efectivas e funcionais.

Porque é preciso partilhar e divulgar conhecimento.

A mera protecção de conhecimento através de patentes e propriedade industrial, apesar de ainda poder ser aperfeiçoada, já não é suficiente. É necessário estimular a disseminação de conhecimento base, a partir do qual se possam construir novas realidades. Da mesma forma, cada instituição deve perceber os ganhos potenciais com a existência de mecanismos internos que estimulem o aparecimento de novas ideias. Os modelos de inovação disruptiva e incremental em conjugação com o Open Source aconselham hoje a uma gestão da abertura do conhecimento como fonte de geração de riqueza em todas as sociedades líderes.

Aprender a aprender. Criar experimentando e errando.

Mais do que reproduzir conhecimento já existente, importa premiar insights, ideias novas, sinergias criativas, boas práticas e processos criativos. Para isso é necessário dar novas perspectivas ao sistema de ensino, que deve ser um espaço aberto à discussão e ao desenvolvimento do raciocínio próprio. A leitura, as artes e as ciências são instrumentos para estimular a análise e a criatividade, factores fundamentais para a inovação e para um modelo de ensino assente no conhecimento criativo (CC).

Porque as tecnologias de informação são básicas.

No quadro do ensino das tecnologias de informação, é fundamental ir além do ensino instrumental do uso e atingir um ensino que promova a criação digital (design e construção), a capacidade de criar redes e a programação básica em computador. Tal como o ensino de inglês, a programação básica e as lógicas de pesquisa e validação da informação devem integrar os objectivos do ensino básico.

in Novo Portugal

Exemplo sueco: Os segredos da cidade perfeita

Tuesday, May 27 2008 05:31 O modelo sueco de cidade sustentável pode aplicar-se em Portugal. Mas faltam projectos.

Um bairro onde tudo se aproveita e quase nada se perde, em que os residentes usam metade da energia de um bairro convencional, consomem apenas 100 litros de água por dia (menos 30% que em Portugal), produzem menos lixo, vivem em casas construídas com materiais ecológicos, deslocam-se em veículos amigos do ambiente e preferem andar a pé ou de bicicleta.

O cenário parece improvável, mas existe, mesmo no centro de Estocolmo - o ecobairro de Hammarby Sjöstad nasceu da recuperação de uma antiga zona industrial, um projecto idêntico ao do Parque das Nações. Até 2015, albergará mais de 25 mil pessoas em 11 mil residências. A jóia ambiental da Escandinávia está na moda e é cobiçada sobretudo por jovens casais em início de vida. Os recém-proprietários recebem um "kit" explicativo do processo de separação dos lixos, são incentivados a usar os transportes públicos e a deixar o carro à porta de casa. Um quotidiano dominado pelo conceito de "simbiocity" (simbiocidade) que consiste num plano integrado de gestão da energia, do lixo e da água. A cidade ou bairro depende das energias alternativas (eólica, solar e eléctrica), mas não só. O lixo doméstico é separado, uma parte irá assegurar o fornecimento de electricidade e os sistemas de aquecimento e arrefecimento urbanos, o restante é reciclado e transformado em fertilizante agrícola. A água da chuva, armazenada e conduzida até à central de tratamento (a par com os desperdícios sanitários), servirá para produzir biogás para os veículos em circulação na metrópole.

O sucesso desta comunidade perfeita ditou a expansão do conceito além-fronteiras. China, Índia, Canadá e África do Sul adoptaram-no. Em Portugal, não existem projectos desta dimensão. Porquê? O Expresso tentou obter resposta a esta pergunta junto da Agência Portuguesa para o Ambiente, mas tal não foi possível em tempo útil. Já Francisco Ferreira, da Quercus, refere que "é necessária uma governação a longo prazo, com políticas locais e nacionais" que estimulem a aplicação de planos integrados de sustentabilidade. Os custos de instalação de uma cidade deste tipo no nosso país dependem de uma série de factores - a dimensão da área intervencionada, o grau de degradação e o tipo de edifícios, as infra-estruturas de distribuição de água, etc. É preciso ter em conta que o retorno do investimento deve ser encarado a longo prazo, "no mínimo uma década".

Mesmo não dispondo de projectos idênticos ao modelo sueco, alguns municípios começam a dar os primeiros passos na luta contra o desperdício. É disso exemplo o eco-bairro do Barreiro: as 253 residências vão poupar 70% da energia gasta noutras casas da região. Está ainda prevista a instalação de um sistema de recolha de águas pluviais para rega e iluminação pública fotovoltaica. No Parque das Nações foi instalado o sistema sueco de recolha de resíduos domésticos (Envac), uma rede subterrânea responsável pela gestão de seis mil toneladas de lixo por ano. Norberto Vicente, da Envac, assegura que a autarquia "poupa 40% com o sistema automático quando comparado com o tradicional", apesar dos custos de instalação rondarem os 1500 euros por residência. Dois camiões recolhem diariamente o lixo, que é armazenado em três centrais. A empresa prevê instalar estruturas idênticas em Vilamoura (Algarve) e nos bairros lisboetas de Alfama e Bairro Alto.


in Expresso

“Vanguarda” dita novas experiências

Monday, May 26 2008 11:53

Valorização do espaço privado e social em detrimento do público, uma nova “procura de sentido” para a vida e hábitos de consumo voltados para as tecnologias e para o bem-estar são as principais tendências apontadas num estudo realizado junto de cem personalidades portuguesas de vanguarda. A sociedade vai valorizar cada vez mais novas experiências

A APEME e a Produções Fictícias realizaram um estudo sobre as tendências de consumo da sociedade portuguesa, cujos resultados estiveram em debate no passado dia dez de Abril, numa iniciativa do Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM). O inquérito online, realizado junto de um painel de cem trend-setters - uma amostra relevante de personalidades portuguesas de “vanguarda” que se encontram na linha da frente a fazer opinião – visou “pensar os caminhos do futuro”.

O objectivo foi procurar respostas para questões como a mudança de atitudes e comportamentos, que valores são decisivos quando se projecta o futuro, e o que de mais significativo está a ganhar forma na vida privada, social e pública.

Os resultados, apresentados publicamente no final de 2007, revelam que as tendências mais significativas têm a ver com a procura de novas experiências. Perspectiva-se uma sociedade que quer sair de si mesma, viajando no espaço (com forte valorização de curtas estadias em cidades europeias, de destinos a que se associam temas culturais e de viagens de aventura organizadas); na cultura (manifestando-se muito interesse por filosofias de perfil oriental na “procura de sentido” e por criações artísticas de nicho integradas em ambientes mainstream); e no tempo (aspirando a uma casa antiga reconstruída ou a ambientes tradicionais mas qualificados nos padrões modernos de conforto).

Esta “necessidade de ampliação de mundivivência incorpora a consciência de aprender mais, mesmo que de modo rápido”, através de cursos de curta duração e temas imprevistos como criatividade ou culinária vegetariana, conclui a APEME. É de prever uma forte procura das indústrias de conteúdos não circunscritos ao sistema educativo formal.

Observa-se uma forte atracção pelas TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), vistas como plataformas “muito eficientes” para eliminar intermediários, que permitem aceder a informação relevante e viabilizar a satisfação dos impulsos de compra de serviços. Além disso, estes canais de expressão individual junto de públicos alargados (caso do You tube, MySpace, Skype e leilões online), antes inacessíveis, “aceleram a tendência central de extroversão que caracterizará o Portugal dos próximos anos”.

Portugueses apostam em si próprios

O futuro passará por uma aposta na esfera individual, “sendo clara a procura de uma forte diferenciação face aos outros”, através da aquisição de competências pouco comuns, como “cozinhar japonês em casa” ou “ir dançar danças temáticas”.

A finalidade é, essencialmente, atingir o conceito de bem estar físico e espiritual, “reconhecendo-se que para o obter é preciso assumir uma estratégia proactiva”, que afaste hábitos de consumo “ameaçadores”, como fumar, e promova a adopção de comportamentos saudáveis, como uma dieta alimentar equilibrada ou a utilização de Spas e outros serviços de saúde e bem-estar.

Numa óptica mais “macro”, esta tendência para a conservação de equilíbrio pode, ainda, estar reflectida na disponibilidade para gastar dinheiro em elementos para a casa que envolvam preocupações energéticas, como as lâmpadas de baixo consumo ou a separação do lixo.

O predomínio do privado e do social/comunitário sobre o público/político reforça-se como tendência dominante se tivermos em conta o “não estar ligado a nenhum partido político ou associação cívica”, preferindo-se a participação em movimentos menos estruturais ou contínuos. Esta tendência reflecte uma “linha de menor disponibilidade para aceitar o discurso político instalado, bem como as instituições tradicionais”, concluem os responsáveis do estudo.

De sublinhar que a composição e dimensão da amostra – cem personalidades da sociedade portuguesa de ambos os sexos, com idades entre os 21 e os 53 anos, que trabalham em áreas predominantemente artísticas ou do Conhecimento, como artistas, humoristas, publicitários, investigadores ou docentes universitários, arquitectos e escritores – não é estatisticamente representativa da população, uma vez que constitui um segmento de vanguarda,

No entanto, a APEME e a Produções Fictícias acreditam que “no plano qualitativo, a amostra revela-se robusta e com elevado grau de coerência de resposta”. O trabalho de campo decorreu na Primavera e Verão de 2007.

In Portal VER, Gariela Costa

Governo: Plano Ordenamento Área Metropolitana Lisboa articulado com novo aeroporto e 3º travessia Tejo

Wednesday, May 21 2008 04:19
Lisboa, 15 Mai (Lusa) - O Governo aprovou hoje uma resolução que determina a alteração do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, para articulá-lo com projectos como o novo aeroporto de Lisboa e nova travessia do Tejo.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, a alteração daquele instrumento de planeamento ficará a cargo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, fixando-se um prazo de nove meses para o efeito.

"Esta alteração prende-se com a necessidade de articulação entre o modelo territorial e os investimentos e projectos, em curso ou previstos, fortemente reestruturadores em termos territoriais, económicos e de mobilidade, como é o caso do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), das Plataformas Logísticas, da Rede Ferroviária de Alta Velocidade e da Nova Travessia do Tejo", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Na reunião semanal do Conselho de Ministros foi ainda aprovada uma resolução que aprova o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Litoral Norte, "estabelecendo os regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais e fixando os usos e o regime de gestão a observar na sua área de intervenção".

"Pretende-se, deste modo, garantir a conservação da natureza e da biodiversidade, a manutenção e a valorização da paisagem, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento económico das populações", é ainda referido.

O Governo aprovou ainda uma resolução que cria uma nova medida no âmbito do programa INOV, o INOV-Mundus.

Segundo a nota do Conselho de Ministros, esta medida visa, ao longo dos próximos três anos, abranger 250 jovens qualificados, mediante a realização de estágios profissionalizantes, essencialmente de carácter internecional, a efectuar junto de entidades públicas ou privadas e organizações nacionais ou internacionais, cuja área de actuação reporte à cooperação para o desenvolvimento.

VAM.

Lusa

Congresso do Empreendedorismo Social

Tuesday, May 13 2008 11:49

Vai realizar-se no próximo dia 15 e 16 de Maio no Centro de Cultural de Cascais o Congresso do Empreendedorismo Social.

Quem é Empreendedor Social?

Em Portugal, confunde-se frequentemente empreendedorismo social com caridade. Ainda está por assimilar este novo conceito: aquele que implementa projectos de intervenção social de uma forma sustentável.

O empreendedor social é alguém que reconhece um problema social e utiliza os princípios de empreendedorismo para organizar, criar e gerir empreendimentos que promovem transformação social. É um agente de mudança social, aproveitando oportunidades para a melhoria dos sistemas, inventando e disseminando novas abordagens e soluções sustentáveis que criam valor social.

Cafés de SP viram escritórios online

Wednesday, Apr 30 2008 08:54
Crescem opções para trabalhar fora do ambiente tradicional

O escritório do designer gráfico Daniel Arantes é o mundo. Aos 23 anos, recém-formado e ainda morando com os pais em um apartamento no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, ele trabalha com amigos em uma cafeteria dessas com acesso sem fio à internet. Faz trabalhos para uma revista produzida em Barcelona, tem um site colaborativo com outros designers ingleses e americanos, teve dois desenhos publicados num livro japonês e já foi convidado até para trabalhar em Lisboa e Paris. "Aprendi um pouco de espanhol só pelos e-mails trocados com os profissionais da Espanha", conta ele. "Quando fui convidado para trabalhar na França, eu nem consegui entender o e-mail e achei que era propaganda. O bom disso tudo é que tenho a liberdade de trabalhar do jeito que quero e ter a rotina que me dá vontade."

Talvez os vocábulos "trabalho" e "rotina" logo necessitem de uma definição um pouquinho diferente nos Aurélios. Ao juntar essas duas palavras numa mesma frase, logo se pensa em baias apertadas, chefes, horários, reuniões, relatórios de produtividade, departamento de recursos humanos, máquinas de café solúvel e todos os outros rituais e discursos da vida corporativa. Mas algo já está mudando nessas percepções, numa velocidade superior ao que muita gente está conseguindo perceber ou mesmo acompanhar. Diversos escritórios da cidade já relaxaram seus expedientes, principalmente as empresas "pontocom", sempre tentando transformar seus ambientes em lugares mais criativos. Na Predicta, por exemplo, uma empresa de tecnologia na Vila Olímpia, zona sul, os funcionários podem jogar videogame na televisão de plasma no meio do expediente e pegar uma cerveja na máquina de refrigerantes.

A tecnologia também está fazendo muitas pessoas virarem os próprios chefes e trabalharem por conta, sem perder com isso a troca de idéias e de experiências típica dos escritórios. Em cafeterias como Starbucks, Suplicy e Fran?s Café, é cada vez mais comum ver grupos trabalhando em seus laptops enquanto tomam um cappuccino. "Tem gente que cansou de ficar em casa trabalhando sozinho, enfurnado, e agora faz amigos em cafés e tem a chance de trocar conhecimento com outros profissionais iguais a ele", diz Henrique Bussacos, administrador de empresas que se cansou do ambiente corporativo e agora mantém um site com a ajuda de free lancers que se encontram semanalmente no café da Livraria da Vila, na Vila Madalena. "Vira quase um escritório casual."

EXPERIÊNCIA INOVADORA

No começo de 2008, São Paulo terá uma das experiências mais inovadoras no quesito "novas formas de trabalhar". A exemplo de Londres e Berlim, a cidade ganhará um Hub SP, uma espécie de escritório comunitário com internet sem fio, onde qualquer um pode levar seu computador e trabalhar lá. O local já está em construção, no número 409 da Rua Bela Cintra. Conforme palavras de seus idealizadores, o Hub será um espaço para conectar pessoas, alavancar projetos inovadores e inspirar transformações.

"Poucas vezes uma idéia genial surge na frente do computador, dentro de uma corporação", diz Pablo Handl, principal organizador do Hub. Para trabalhar lá, seja qual for seu projeto, será preciso pagar uma espécie de "taxa de estacionamento" - no início, mesmo que seja para ficar o dia inteiro, esse valor não deve passar dos R$ 400 mensais. "Queremos ter um espaço onde essas idéias apareçam naturalmente, onde as pessoas conversem, troquem informações. É o escritório do futuro para incubar as organizações do futuro."

in Estadao.Com.Br, Rodrigo Brancatelli

Como é que vive um engenheiro do ambiente?

Saturday, Apr 26 2008 04:57 Lâmpadas, só das fluorescentes, e um ecoponto na marquise. São os primeiros sinais de que nos encontrámos em terreno protegido. A casa de Pedro Santos, director-delegado da agência “EDV Energia” e presidente da Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente (APEA), podia ser a de qualquer um. O engenheiro vive desde Setembro do ano passado num apartamento pequeno de um prédio antigo. “É emprestada”, diz, até concluir a casa que está a construir no bairro do Espadanal. Essa sim, “a verdadeira casa ecológica”. Mas voltemos ao apartamento pequeno.

“Hoje ter comportamentos ambientais significa poupar muito dinheiro”, afirma o engenheiro. As facturas de electricidade demonstram-no. Por cada dois meses, a família Santos, composta por dois adultos e duas crianças, gasta apenas 44 euros. A fórmula está em pequenos pormenores.

Na cozinha, os electrodomésticos são todos de classe A, ou seja, mais eficientes em termos energéticos. “São mais caros mas a diferença não é assim tão grande quanto isso”, justifica. A louça só se lava na máquina e a roupa só quando o tambor está a abarrotar. Ambos os equipamentos só funcionam à noite, durante um período de horas em que a electricidade é mais barata. É o chamado tarifário bihorário.

Passemos ao escritório. Os cartuchos da impressora são recarregáveis, assim como as pilhas. Os primeiros servem perfeitamente para uso corrente e custam menos de metade do preço dos originais. Quanto às pilhas, Pedro Santos já não se lembra da última vez que teve que comprar um pack. “É um investimento que claramente compensa”, assegura, com o carregador na mão.

O papel, como não poderia deixar de ser, também é reciclado. “E hoje até já não se distingue do papel normal, porque também é branco”. “É mais caro”, reconhece o engenheiro, “mas não muito e, de futuro, cada vez menos. A produção não o justifica e a tendência é que estes produtos sejam mais baratos, com o surgimento de taxas diferenciadoras positivas”.

O único equipamento electrónico em modo stand by na casa é a caixa da televisão por cabo. “Porque é um aparelho mais frágil, temos evitado o ligar e desligar”, justifica Pedro Santos. Todos os outros estão desligados.

Um dia por semana a trabalhar a partir de casa

Para o engenheiro, o aquecimento e as deslocações para o trabalho são actualmente os únicos impedimentos a um comportamento totalmente sustentável.

Em relação ao primeiro, a intervenção para uma melhor distribuição do calor deveria ser feita na própria construção da casa. Para quem tiver uma lareira, Pedro Santos recomenda a instalação de um recuperador de calor. “Com menos lenha aquecemos muito mais a casa e é um investimento que voltou a ter benefícios fiscais”, explica.

As deslocações para o local de trabalho, em Oliveira de Azeméis, são mais difíceis de fazer sem prejudicar o ambiente. Por isso, a mobilidade e os transportes são das temáticas que mais têm ocupado os técnicos da agência de energia. “Se na Linha do Vale do Vouga houvesse mais frequência de comboios, - já nem falo na qualidade - as pessoas utilizavam-na”, assegura Pedro Santos.

Ainda assim, a EDV Energia encontrou uma forma de dar o exemplo, ao ceder aos seus funcionários um dia por semana para trabalhar a partir de casa. “Poupa-se no combustível, protege-se o ambiente e promove-se o teletrabalho”, afirma o director. “Como a nossa gestão é por objectivos, o importante é que o trabalho apareça feito e bem feito”, justifica.

Casa “verdadeiramente ecológica”

Na sua nova casa, no Bairro do Espadanal, Pedro Santos pretende aplicar tudo aquilo que apregoa.

A residência aproveitará ao máximo a luz natural, assumindo um posição favorável ao sol, e será sustentada pelos melhores materiais do ponto de vista ambiental. A arquitecta escolhida pela família Santos, especializada em arquitectura bioclimática, assegurará esses dois pontos.

Para além disso, serão instalados equipamentos que reencaminham as águas pluviais para usos posteriores, nomeadamente no autoclismo e no sistema de rega. Uma caldeira de biomassa alimentará o sistema de aquecimento central e um painel solar térmico aquecerá a água.

A família está a ponderar ainda a aquisição de um painel solar fotovoltaico, que não só abasteceria a casa de energia, mas poderia também ser rentabilizado, através da venda à rede. “É algo que ainda não decidimos, porque é um equipamento que custa entre 20 e 25 mil euros”.

Será também no Espadanal, que Pedro Santos pretende recorrer à compostagem doméstica para se livrar dos restos de comida. Com um custo que não ultrapassa os 30 euros, o compustor faz a reciclagem dos dejectos, convertendo-os em adube natural que pode ser utilizado no jardim. “Os nossos avós já o faziam, mas para um buraco no jardim”, recorda.

in Jornal Labor, Anabela S. Carvalho

Fazem o que vêm...

Friday, Apr 25 2008 08:26

Novas Fronteiras

Wednesday, Apr 23 2008 02:37

Quinze por cento da população europeia deita-se todos os dias sem perspectivas de uma vida digna no dia seguinte.

João Wengorovius Meneses

Mais de 70 milhões de cidadãos da União Europeia (UE) vivem em situação de pobreza ou exclusão. Ou seja, 15% da população europeia deita-se todos os dias sem perspectivas de uma vida digna no dia seguinte.
Esta é a Europa que celebra esta semana cinquenta anos de vida. Conseguiu paz e crescimento económico mas não foi capaz de assegurar a coesão social. Na celebração do seu aniversário, a Europa não pode esquecer que “combater a pobreza é uma obrigação moral numa sociedade que se quer respeitar a si própria”, deve voltar a responder “sim” à pergunta “é possível mudar a sociedade?”. Só há um destino possível para a Europa: reencontrar um sentido humanista para o desenvolvimento.
Em 2000, o Conselho Europeu de Lisboa definiu como objectivo estratégico para a UE “tornar-se na economia baseada no conhecimento, mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento económico sustentável com mais e melhores empregos e com maior coesão social”.
A inovação foi então definida como factor chave para o crescimento económico e para a coesão social foi agendada a reforma do Modelo Social Europeu. Mais do que de reformas, do que a coesão social depende é de inovação, de novas estratégias de resposta a novas e antigas formas de exclusão. Quais? É a pergunta a que urge responder.
Vejamos o caso de Portugal. Sabe-se que 20% da população portuguesa vive em situação de pobreza ou exclusão. Mas não se conhece nenhum levantamento das necessidades dos diversos grupos em risco e das respostas dadas por parte do sectores público, privado e do terceiro sector.
Só da parte das respostas dadas pelo Estado, estão em curso os seguintes planos que visam a inclusão ou a sustentabilidade social: Plano Nacional de Acção para a Inclusão (PNAI) 2006-2008, Plano Nacional de Emprego 2005-2008, Plano de Acção para a Integração das Pessoas com Deficiências ou Incapacidade 2006-2009, Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES) 2006-2009, Plano para a Integração dos Imigrantes e o Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável 2005-2015, aos quais se deverão acrescentar os diversos programas financiados directamente pelo Fundo Social Europeu e, em breve, os programas operacionais do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) 2007- 2013. Mas estes planos foram definidos com base em que diagnóstico de necessidades? E como se articulam com as respostas dadas pelo terceiro sector e pelas autarquias?
Um mapa nacional das necessidades e respostas sociais permitiria a articulação dos planos de acção de todos os actores envolvidos nas acção social.
O diagnóstico a ser levado a cabo pela Rede Social (cujos resultados se aguardam) é importante, mas não envolve todos os actores sociais e a Carta Social dá uma boa perspectiva dos equipamentos de resposta mas tem a limitação de que as respostas não se esgotam nos equipamentos.
Para além da ausência de diagnósticos também é raro avaliar o impacte das várias soluções de resposta possíveis. A este nível, foi publicado recentemente um interessante “Estudo de avaliação do sistema do microcrédito em Portugal”. O estudo assegura que também em Portugal o microcrédito é uma eficaz e competitiva ferramenta de combate à pobreza (embora ainda sem expressão).
Amanhã, Muhammad Yunus, pai do microcrédito e Prémio Nobel da Paz em 2006, estará na Gulbenkian para uma conferência. Como o próprio disse: “Quando se planta a melhor semente da árvore mais magnífica num vaso, obtém-se apenas uma réplica dessa árvore em miniatura. As pessoas pobres são como bonsais. Não há nada de errado com as suas sementes. Simplesmente, a sociedade nunca lhes deu espaço para crescerem. Tudo o que é necessário para as retirar da pobreza é criar um ambiente propício. No dia em que estas consigam usar plenamente toda a sua energia e potencial, a pobreza vai acabar muito depressa.”
Se, em 2010, a UE deseja celebrar o Ano Europeu contra a Pobreza e a Exclusão Social terá de tomar medidas hoje. Novas medidas, claro, para novas fronteiras sociais.


in Diário Económico, João Wengorovius Meneses, Gestor nas ONG Chapitô e TESE

Quem Paga a Festa?

Wednesday, Mar 26 2008 12:10 O espertalhão Warren Buffett que, sendo o homem mais rico do mundo, sabe bem o que é uma paródia despediu-se dos mercados anunciando o que já toda a gente sabia: “A festa acabou”. Acabou? Perguntarão muitos para quem ela nem sequer tinha começado. Ingénuos. Serão eles e não o senhor Buffett que a vão pagar.

Outro que sabe de festas é Alan Greenspan. Reformado do Banco Central americano dedica-se agora a atormentar os outros. Veterano na gestão de crises afirmou há dias que a actual pode ser a pior desde a II Guerra Mundial. Será que o mago descobriu na bola de cristal aquilo que meio mundo político e académico anda à procura? Bom, é que se for verdade a festança vai ficar-nos pelos olhos da cara.

A comparação é inevitável, embora o senhor Greenspan cautelosamente a tenha evitado. Sem o mencionar, estava a referir-se à ‘grande depressão’ iniciada em Outubro de 1929, o primeiro “acontecimento verdadeiramente mundial”, segundo o historiador JMRoberts. Numa perspectiva económica foi a maior tragédia do século passado e sabemos quanto custou.

Sem ser exaustivo, para não assustar, custou 30 milhões de desempregados e uma quebra de rendimento nacional só nos Estados Unidos de 39%. Demorou sete anos a controlar e atingiu o pico três anos depois do seu início, em 1932. Dez anos depois, em 1939, o comércio internacional ainda era 50% inferior ao existente no início da crise. Foi nesse ano que Adolf Hitler decidiu dar cabo do resto.

É disto que o senhor Greenspan está a falar? Ninguém sabe, a começar por ele. E esse é um dos problemas da crise financeira revelada em Agosto do ano passado. Todos os dias aparecem novos cálculos sobre as perdas originadas no chamado «sub prime». Nos Estados Unidos variam entre 750 mil milhões de dólares e um montante três a quatro vezes superior. É um rombo de dimensão histórica nos activos das famílias americanas, que serão as primeiras vítimas.

Somemos a isto a falência de dois bancos, dificuldades graves em muitos outros, permanentes injecções de liquidez para evitar o colapso, 19 mil despedimentos já anunciados em apenas duas instituições financeiras, recessão nos Estados Unidos e inflação em alta nos dois lados do Atlântico. Uma mistura explosiva que torna ainda mais incerto determinar a gravidade da crise e a respectiva duração.

Há uma garantia. Será uma grande e dolorosa ressaca de um festim que misturou dinheiro à descrição, crédito fácil, ausência de controlo de risco e de supervisão. Outra. Vai afectar-nos mais a nós, que não temos nada a ver com o «sub prime», do que ao senhor Buffett.

in EXPRESSO, Luís Marques
See Older Posts...