Investir em Portugal

o portal da ruralidade contemporânea

Antonio Barreto

Monday, Mar 5 2007 09:32 Extrato da entrevista ao Expresso.

Somos os piores dos melhores?

Os mais pobres dos mais ricos, os mais incultos dos cultos, os obsoletos dos modernos. Essa insatisfação é o abismo que vai do que temos àquilo que gostaríamos de ter ou de ser. Vivemos também obcecados com o atraso. Até eu próprio! Eu seria incapaz de dizer qualquer coisa sem dizer que lá fora estão muito mais adiantados. Isto talvez seja comum a toda a gente.

É aí que se identifica com os portugueses?

Sim. Mas eu tenho uma obsessão mais forte que é o desperdício. Os portugueses são dos povos que mais desperdiça. Desde a paisagem ao mar, à floresta, ao dinheiro, aos orçamentos públicos. Desperdiça-se, desperdiça-se…

Como justifica esse desperdício?

Falta a organização, falta a experiência. Temos ainda essa sensação de atraso e de pobreza relativa, e uma vontade de tentar matar a carência secular, que gera uma enorme preocupação no curto prazo: fazer depressa, para ganhar depressa, para ter depressa. Por que é que os países ricos, como a Suíça, desperdiçam tão pouco? Porque é tudo feito sem precipitação.

Ventos da Ibéria

Saturday, Mar 3 2007 09:17

Os espanhóis estão em tudo: na televisão, na banca, na indústria, nos serviços

Para quem leia jornais todos os dias, o fenómeno é incontornável: só se fala da Espanha. Há financiamentos e parcerias, fusões e aquisições, compras e ameaços. O importante é estar. E os espanhóis estão em tudo: na televisão, na banca, na indústria, nos serviços. O tema é redondo: mercado ibérico, economia ibérica, iberismo. E os inquéritos tornaram-se inevitáveis: concorda com a criação da Ibéria? Mas esta é uma coluna de economia, não de política. Fui ver de onde sopra o vento.

Olhando o último quinquénio, verifica-se que o PIB espanhol cresceu a um ritmo de 3,2% ao ano, mais ou menos o dobro da Zona Euro e quase seis vezes o paupérrimo crescimento português. E, se alargarmos o horizonte, o impacto é ainda maior. Há dez anos, o rendimento «per capita» espanhol era igual a 80% da média europeia; hoje é igual a 93%. Mas, no mesmo período, o equivalente português regrediu de 70% para 66%. Que fez a Espanha, e nós não fizemos, para alcançar este sucesso?

Primeiro que tudo, aumentou o PIB potencial. E fê-lo de duas maneiras: por um lado, apostando num modelo que privilegiava o emprego - a taxa de desemprego, que chegou a ultrapassar os 20% da população activa, está hoje na casa dos 7%, em linha com os padrões europeus; por outro, dotando a estrutura produtiva dos capitais necessários - o crescimento do investimento, no seu pico mais alto, chegou a exceder o dobro do crescimento do produto. Melhor era impossível.

Mas, como sabemos, ter potencial não chega. É preciso utilizá-lo. E aqui entra a segunda vaga. A Espanha, beneficiando do facto de ter uma taxa de desemprego muito elevada, controlou exemplarmente os salários, fazendo acréscimos em linha com a inflação e retendo os ganhos de produtividade para embaratecer os produtos. A batalha da competitividade, decisiva nesta fase, foi exemplarmente ganha. E as contas públicas, controladas até ao milímetro, fazem hoje inveja aos melhores.

Tudo bem então em Espanha? Não. De há uns tempos a esta parte, nuvens negras começaram a toldar o horizonte. Primeiro, a componente emprego ficou mais difícil e o crescimento teve de se virar para a produtividade. Depois, a inflação disparou, sugerindo sobreaquecimento e desequilibrando a balança de transacções correntes. E, por último, sobreveio a crise do imobiliário, uma bomba-relógio à beira da explosão. A Espanha de hoje tem semelhanças com o Portugal de 2000. Mas nós falhámos. Será ela capaz de dar a volta por cima?

Eis os ventos que passam. Faz sentido um mercado ibérico? Ele já existe, nas relações de troca que se fazem todos os dias. E uma economia ibérica, no sentido em que duas forças se juntam para criar uma força comum? Nada a opor: o importante é que haja serviços de qualidade a um preço justo, independentemente de quem vier a prestá-los. Então uma Ibéria país? Bom… Não sei… Talvez… Esperem um bocadinho… Senti um calafrio aqui dentro... Serão efeitos de Aljubarrota?...

Claro que isto não é racional. É bloqueio. Mas Ibéria não: eu gosto de ser português.

in Semanário Expresso, Daniel Amaral

Gato Fedorento - Assim não

Friday, Mar 2 2007 09:40

Contas Regionais do INE: Norte perde peso na economia portuguesa

Tuesday, Feb 27 2007 11:09 A economia portuguesa cresceu 0,7 por cento em termos médios entre 2000 e 2003, com a região Norte a perder peso no valor da riqueza criada, segundo as contas regionais do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgadas.

Em termos nominais, o produto interno bruto (PIB) subiu 4,3 por cento nos três anos entre 2000 e 2003, e em termos reais (ou seja, descontando a inflação) subiu 0,7 por cento.

O Norte cresceu menos do que a média, perdendo peso no conjunto da riqueza criada internamente, enquanto a Madeira, os Açores, o Algarve e o Centro registaram taxas de crescimento superiores à média. As regiões Norte e de Lisboa representam, juntas, cerca de 65 por cento do PIB português e 63 por cento do emprego total.

Rendimento disponível subiu 4,8 por cento

O rendimento disponível das famílias portuguesas melhorou 4,8 por cento entre 2000 e 2003, crescendo a um ritmo superior ao da economia, segundo as contas divulgadas pelo INE, com dados definitivos para o período 2000-2003 e preliminares para 2004.

O crescimento do rendimento disponível foi mais elevado no Algarve (6,9 por cento) e na Madeira (6,6 por cento) e mais baixo no Norte (4,1 por cento) e Centro (4,5 por cento), com estas duas últimas regiões a afastarem-se da média nacional.

Os dados do Valor Acrescentado Bruto, uma medida do valor da produção, mostra que a importância do sector primário (inclui a agricultura) baixou nesses três anos, tendo aumentado a do secundário (indústria) e terciário (serviços).

Lisboa é única região com riqueza por habitante acima da média da UE

Lisboa foi a única região do país que conseguiu ultrapassar a riqueza média gerada por habitante no conjunto da União Europeia, entre 2000 e 2004, aproximando-se dos 110 por cento, medida em paridades de poder de compra.

As contas regionais hoje divulgadas mostram que Portugal gerou nesses quatro anos uma riqueza (PIB) por habitante de 77 por cento da produzida pela União Europeia a 25 Estados-membros,.

No Norte, uma região com muitas disparidades, o PIB por habitante em paridades de poder de compra não foi além de 62 por cento da média UE, apresentando-se como a região com maior afastamento face aos parceiros comunitários.

Actividades financeiras e imobiliárias absorveram 1/3 do investimento

As actividades financeiras e imobiliárias absorveram mais de um terço (35%) do investimento português em 2003, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgados.

Esta elevada percentagem deve-se sobretudo ao investimento em habitação, segundo o INE, o qual apresenta uma grande disparidade regional (é mais significativo em Lisboa e no Norte).

O segundo grupo de actividades com mais peso no investimento em Portugal foi o de “comércio, alojamento, restauração, transportes e comunicações”, com 22 por cento.

in Público

Turismo em Portugal

Monday, Feb 26 2007 10:39 Visita obrigatória para quem gosta de Portugal.

A secção multimédia inclui fantásticos videos das regiões portuguesas!




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Plano de promoção turística conta com 50 milhões de euros

Monday, Feb 26 2007 08:51 O Plano Nacional de Promoção Externa vai contar com 50 milhões de euros já este ano, soube o DN de fonte governamental. Inserido no Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), a promoção do País vai ser uma parceria público-privada, cuja cerimónia de apresentação contará hoje com a presença do ministro da Economia e Inovação. Durante o evento, serão assinados os contratos de promoção externa com as cinco agências regionais do território continental - Algarve, Alentejo, Lisboa, Centro e Porto/Norte

O Plano de Promoção tem a garantia de que nos próximos três anos contará com níveis de apoio no mínimo idênticos aos agora anunciados. Parte do dinheiro, segundo o DN apurou, será aplicado na promoção da Marca Portugal, estando o restante vinculado às regiões de turismo e à realização de eventos. Segundo as mesmas fontes, por cada euro de contribuição privada, as entidades públicas locais deverão avançar com idêntica quantia, enquanto o Turismo de Portugal deverá despender quatro euros. Segundo o Governo, as novas regras, que contemplam lógicas de "concentração e selectividade do investimento", pre- vêem igualmente "mecanismos mais exigentes de acompanhamento e avaliação" da actuação das agências regionais.

O Governo garante que o Plano de Promoção "visa sustentar a dinâmica de crescimento do turismo português registada em 2006". Tem por missão "indicar os mercados externos a contemplar prioritariamente, os produtos turísticos a privilegiar em cada região e no todo nacional e os instrumentos promo- cionais mais apropriados".

O PENT, apresentado em Janeiro de 2006, visa assegurar, no horizonte de 2015, um aumento da contribuição do turismo para o PIB, bem como incrementar o emprego qualificado. Divide-se em cinco eixos estratégicos. O primeiro, denominado "território, destinos e produtos", identifica dez pólos de atractividade, que vão desde a gastro- nomia e vinho até ao tradicional sol e mar, passando pelo turismo cultural e paisagístico, o turismo de natureza, os congressos de negócios ou o golfe. Saúde e bem-estar, turismo residência, promoção das cidades e actividades náuticas compõem o port-fólio identificado. "Marcas e mercados", "Qualificação e recursos", "Distribuição e comercialização" e "Inovação e conhecimento são os restantes eixos do PENT.

in DN, Márcio Alves Candoso

"Famílias pedem à banca 58 milhões por dia"

Saturday, Feb 24 2007 08:47 O semanário EXPRESSO faz hoje referência ao crescimento do endividamento das familias portuguesas.

Recordo-me que nos finais dos anos 90, o aumento do endividamento das famílias era uma manchete frequente.
A dúvida surge no momento desta notícia: Como é que nos dias de hoje pode existir esse aumento de endividamento não produtivo, estando a economia numa fase letárgica?

Por outras palavras: Estaremos a "consumir" de forma sustentável? Estarão as opções de consumo/vida do passado compativeis com o actual estado económico?

Serão os subúrbios solução para a redução dos custos de vida? Qual o custo económico e em tempo dispendido com transportes para o acesso aos centros empresariais?

Onde está, em Portugal, a qualidade de vida? A que preços?

Alfredo Sfeir-Younis

Thursday, Feb 22 2007 02:34 (Excerto da entrevista á revista Visão)

Onde é que Portugal vai estar em 2020?
Se decidir jogar o jogo da globalização, deixar fazer, deixar passar, vai estar numa pobreza tremenda e sem perspectivas.

Como é que pode inverter esse caminho?
Primeiro: mudar radicalmente a educação, para que não seja apenas orientada para o trabalho, mas para a identidade do País.(...)

Segundo: a saúde não pode ser só a adaptação do ser humano à toxicidade , através de medicamentos, tem que se aproveitar os grandes recursos naturais, como as termas.

Terceiro: valorizar, pagar, difundir a cultura, de forma a que os artistas tenham orgulho do que fazem e possam mostrar e ensinar o seu trabalho, e não seja apenas os economistas a receber bons salários.

«Intelligence» à francesa

Saturday, Feb 17 2007 09:05

A diferença fundamental com a abordagem norte-americana da «intelligence» competitiva resume-se numa frase: “Aos americanos falta-lhes a análise comparada, para olharem em profundidade para o contexto - histórico, cultural, civilizacional, geográfico, jurídico. Por isso, a grelha «standard» da análise concorrencial americana, que muita gente importa, falha, diz-nos Christian Harbulot, 54 anos.

Autor de várias obras sobre o tema, o fundador da Escola de Guerra Económica (uma escola de negócios centrada no tema da «intelligence») justifica assim o porquê de uma “linha” autónoma, francesa, na matéria.

Essa diferença de enfoque repercute-se, tanto na recolha de informação estratégica e na decisão de acções de influência e posicionamento no campo da internacionalização das empresas, como na diplomacia económica oficial, seja ela governamental ou, inclusive, das instituições de um dado território (região, pólo de competitividade, município) ou «cluster».

“O contexto histórico e cultural do que investigamos é peculiar a cada caso. Se olharmos às potências que se movem hoje em dia no xadrez mundial, elas não têm as mesmas raízes nem os mesmos objectivos. Uma abordagem linear e generalista não serve de grande coisa, ou pode levar a erros grosseiros”, remata o fundador da Escola, que, fazendo jus ao nome, não fica longe do «campus» da Escola Militar francesa, ao fundo do Campo de Marte, no centro de Paris.

“A análise americana falha muito na compreensão dos fenómenos assimétricos”, reforça Harbulot. Estes hoje em dia não são exclusivos do terreno geopolítico e militar, mas já há muito invadiram a área da própria ‘microeconomia’.

Não é uma dança de salão



Inesperadamente saltam para o mercado novos constrangimentos - ecológicos, bioéticos, civilizacionais - com os quais os gestores não estão habituados a lidar.

Também a emergência - não só dos BRIC como de muitos outros países outrora englobados na designação Terceiro Mundo - “é muito mal compreendida: há dificuldade em perceber como eles funcionam, e como tomar decisões”.

Inclusive, muita gente não entende que muitos grupos e multinacionais dos países emergentes, mas também de países ‘ocidentais’, actuam concertadamente com os objectivos de potência do seu próprio país.

Por isso, diz o chefe da EGE, uma escola que faz este ano dez anos: “A «intelligence» implica combate, não é propriamente uma dança de salão”. E não tem dúvidas: “Tem de se ser agressivo se se quer estar na ofensiva”. E, nesta postura, há um ingrediente fundamental: “antecipar, ser pró-activo”.

O paradoxo francês



Mas a crítica à ‘linha’ americana não significa que Harbulot esteja satisfeito com o que se passa dentro de casa: “A cultura francesa empresarial não é uma cultura de partilha. Isso é histórico entre nós. Temos poucas lógicas de cooperação e há, ainda, uma cultura de segredo nos meios patronais. Muitos decisores continuam a achar que o que é sigiloso e está escondido tem mais valor”. O que leva o fundador da Escola de Guerra Económica a ironizar: “É uma contradição bem francesa. Temos uma ferramenta de «intelligence» mais rigorosa, mas temos uma antiquada cultura patronal. Será que isso é próprio dos latinos?”.

in Expresso, Jorge Nascimento Rodrigues

Hamburgo é a primeira cidade europeia em 3D no Google Earth

Wednesday, Feb 14 2007 06:57 A cidade de Hamburgo vai estar acessível em 3D na ferramenta Google Earth prometendo um nível de detalhe surpreendente nos edifícios da baixa.

Ao todo, serão mais de dois mil os edifícios que poderão ser visitados a 30 centímetros de distância virtual, naquela que será a primeira cidade europeia em 3D na conhecida ferramenta.

Ainda não existem datas para Hamburgo estar acessível online, mas sabe-se que o nível de detalhe com que serão apresentados os edifícios será surpreendente.

A escolha da cidade alemã aconteceu graças aos esforços desenvolvidos pelo município, em conjunto com iniciativa privada local, que abordou o Google no sentido de avançar com a ideia.

Actualmente, só cidades norte-americanas podem ser vistas em detalhe no Google Earth, embora na maior parte dos casos somente alguns edifícios estão acessíveis em pormenor, como é exemplo a Golden Gate em São Francisco.

As cidades europeias desenhadas em 3D não são novidade, uma vez que, por exemplo, Paris ou Florença já estão no Cybercity, no entanto, encontram-se apenas acessíveis em dvd. Hamburgo será a primeira a estar ao alcance de qualquer um que possua a ferramenta Google Earth.

in Semanário SOL
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