Investir em Portugal

o portal da ruralidade contemporânea

Escolher, agir e inovar

Wednesday, Jan 31 2007 02:34
O Governo está a ultimar a criação do Fundo de Inovação com recursos públicos e privados

Os países que ambicionam competir e vencer na economia global e baseada na circulação de informação e na valorização do conhecimento, têm de fazer escolhas. Escolher é a essência da estratégia. Com o Plano Tecnológico, Portugal fez a sua escolha.

Sabemos o que queremos e o que não queremos. Não queremos competir no mercado dos bens e serviços massificados e indiferenciados com base no custo dos factores e não podemos ainda competir no mercado global, exclusivamente com base nas qualificações e nas competências.

Por isso escolhemos a inovação, a criatividade e a capacidade empreendedora, como base para a recombinação, a modernização e o aumento da competitividade da economia portuguesa.

Sabemos que não é uma escolha fácil. Temos, no entanto, a força da convicção e a determinação necessária para remover obstáculos e atingir objectivos. A filosofia é clara. Queremos ajudar os empreendedores e os inovadores a chegarem bem preparados ao julgamento do mercado.

O European Venture Summit que decorreu em Lisboa em 4 e 5 de Dezembro juntando meio milhar de empreendedores e cerca de 150 fundos de investimento, constituiu uma excelente oportunidade de promover de forma sistemática os projectos inovadores desenvolvidos em Portugal.

Esta é uma prática que queremos que se repita sempre que o volume de projectos identificados o justifique.

Estamos a concretizar uma agenda de acção concreta no domínio das políticas de apoio e suporte à inovação. Ouvido o Conselho Consultivo do Plano Tecnológico, o Governo está a ultimar um novo modelo de governação do Sistema Nacional de Inovação, incluindo a criação de um Conselho Nacional de Inovação e de um Fundo de Inovação combinando recursos públicos e privados.

Está também a dinamizar uma matriz de redes de inovação, juntando pólos locais, regionais e pólos nacionais de tecnologia e competitividade certificados e com vocação internacional, para reforçar a ligação entre os centros de competências e as empresas e desenvolver plataformas competitivas agressivas, capazes de concorrer no mercado global.

Fizemos escolhas e estamos a caminhar determinadamente para as concretizar.

A chave do sucesso na economia global é a capacidade de empreender, criar riqueza, inovar nos processos, nas atitudes, nos produtos e nos conceitos.

As escolhas feitas marcarão também o novo ciclo da Agenda de Lisboa, no desenho do qual a Presidência Portuguesa da União Europeia no 2º semestre de 2007 terá uma palavra a dizer. Uma palavra reforçada pela força da prática e da experiência adquirida na modernização da sociedade portuguesa.

Carlos Zorrinho, Coordenador nacional do Plano Tecnológico e da Estratégia de Lisboa

Turismo Rural quer captar argentinos

Friday, Jan 26 2007 08:53 Os solares e as aldeias de Portugal querem mostrar-se como alargamento natural da fronteira espanhola para desviar os turistas sul-americanos

Se Portugal é a principal porta de entrada dos brasileiros na Europa, a Espanha é o destino inicial europeu para a maioria dos hispano-americanos. É com essa premissa que o turismo rural português quer captar parte dos milhares de argentinos que anualmente chegam a Espanha. A estratégia dos Solares e das Aldeias de Portugal é criar com os agentes de turismo da Argentina circuitos comuns com as ‘Casas Grandes de Hispania’, além de, por exemplo, desenvolver o caminho português de Santiago de Compostela.

Segundo Francisco de Calheiros, presidente dos Solares, a meta é seduzir já para 2007 cerca de 2.500 argentinos, 10% dos que anualmente chegam a Portugal. O número só não é maior devido à falta de voos entre Buenos Aires e Lisboa. Um acordo aéreo adormece pronto há meses à espera das assinaturas oficiais e do interesse das companhias.

“Queremos atrair os mercados emergentes da América do Sul para que descubram a Europa genuína, mas temos que avançar na questão aérea. Vamos pressionar as companhias para tornar mais fácil a ligação entre os países”, indicou Calheiros ao Expresso.

Enquanto os aviões não descolam para este canto, as associações de turismo rural do Minho e da Argentina anteciparam-se às oportunidades e fecharam em Buenos Aires um convénio de cooperação mútua que permite um país difundir o outro, numa sinergia de promoção e de experiências, a exemplo do que já existe entre Portugal e outros países do Mercosul (Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile).

O português Fernando Martins, dono da agência de turismo argentina Algarve Turismo, é um dos que mais leva argentinos a Portugal. “Acredito que seja possível incrementar as actuais vendas em 40% já para o próximo ano, embora, devido à falta de de voos directos e aos voos indirectos insuficientes, tenhamos sofrido neste ano uma queda de 50% no movimento de argentinos a Portugal”, compara Martins. “Com voos directos, a minha capacidade de venda aumenta em pelo menos quatro vezes”, conclui.

O acordo também desperta expectativas deste lado. A Argentina tem-se tornado um destino emergente e barato para os portugueses.

Márcio Resende, correspondente na Argentina

Clique na web em 2007

Wednesday, Jan 24 2007 10:40 Para o ano, a Internet vai chegar onde nunca esteve e esforçar-se para andar bem mais depressa. Os milhões de cidadãos comuns eleitos pela revista ‘Time’ assim o exigem

Nunca o mundo esteve tanto aos nossos pés como agora. Colocar um vídeo no YouTube oferece uma audiência planetária. Comentar uma obra na megalivraria «on-line» Amazon.com pode disparar a compra do título junto de milhares de outras pessoas como nós: cidadãos comuns. Criar um blogue influencia a opinião de amigos e dos amigos dos amigos… Nunca os cibernautas puderam dizer com tanta certeza: a rede sou eu!

Foi assim em 2006 e assim será em 2007. Com uma pequena diferença: os internautas estão mais conscientes do seu poder. Para tal, muito terá contribuído a revista ‘Time’ ao eleger como figura do ano todos aqueles que inseriram novas entradas na enciclopédia Wikipedia, os que criaram uma vida virtual no «site» Second Life ou os que já estão presentes no Myspace. Até agora os internautas vinham à rede para consultar informação. Por estes dias, estão lá para partilhar conteúdo. A web 2.0 veio para ficar e daqui só pode evoluir.

A net terá de estar em toda a parte. Onde não estiver «online» pode estar «offline», mas sem dúvida que estará lá. Confuso? Talvez tudo fique mais claro sabendo que o iPod - o mais popular leitor de música portátil -, caminha a passos largos para a integração total com o automóvel.

Não se trata de conduzir com os auriculares nos ouvidos, mas de escolher os ficheiros transferidos para o iPod (sejam programas de rádio ou tão somente música) através do próprio sistema de som do automóvel. Segundo um estudo de mercado realizado pelo «site» Autobytel.com 30.7% dos que têm um iPod estão interessados em usar o aparelhómetro no carro.

No entanto, nem só de iPod se faz a net móvel. Se não for já em 2007, pouco mais deverá faltar para que os automóveis possam estar ligados: entre si e à Internet. Aplicações práticas: o diagnóstico remoto e o suporte centralizado do sistema de navegação, ou, por outras palavras, a possibilidade de ser avisado de uma avaria iminente ou de receber, em tempo real, o itinerário que lhe permita fugir ao irritante pára-arranca.

Empenhada em tornar as estradas mais seguras, a União Europeia pretende, até 2010, dotar a rede viária de um eficiente sistema de comunicação, não só entre veículos mas também entre os automóveis e os pontos fixos.

O caminho não se advinha fácil e passa pela implementação de um protocolo de comunicação, ou seja, pelo estabelecimento de regras para a transmissão de dados. Para dar uma ideia, o projecto CVIS, um dos cinco financiados que envolve mais de 60 entidades, desde construtores de automóveis, operadores de telecomunicações, organismos públicos, entre outros. Não é realmente fácil, mas o caminho está a ser desbravado.

Não há nada mais fácil do que consumir largura de banda, entenda-se, a capacidade máxima de troca de dados na rede. Não fosse a massificação dos acessos de banda larga - ADSL, cabo, 3G - a nova rede colaborativa, conhecida como Web 2.0, não passaria de um mito. Ainda assim, quem nunca se queixou de que a Internet está lenta?

Exactamente por causa da velocidade, desde 1996 que um grupo de académicos norte-americanos trabalham no projecto Internet2. Estão a desenvolver novas aplicações bem como a infra-estrutura que as suporta. A rede em fibra óptica que já liga dois terços das universidades e um terço das escolas secundárias nos EUA terá, no próximo Verão, a impressionante capacidade para transmitir 100 gigabits por segundo. E então? Então em 2007 as primeiras aplicações há alguns anos a funcionar no projecto Internet2 deverão chegar ao mercado. Velocidade sem igual.

Por outro lado, o gigante das telecomunicações norte-americano AT&T já anunciou a distribuição de sinal televisivo sobre a Internet, levando a fibra óptica até à casa de alguns clientes de Chicago, como de resto já acontece em algumas residências de estudantes desde 2002.

E a comunidade eleita pela ‘Time’, todos nós, como fica no meio disto tudo em 2007? Reforçada e mais preparada para ser novamente rainha. Desta feita da web 3.0, a da realidade virtual.


in Expresso, Carlos Abreu

QREN - Regioes candidataveis

Sunday, Jan 21 2007 01:49

Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável 2015 (ENDS)

Thursday, Jan 18 2007 11:43 Aprovado pelo Conselho de Ministros

A Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS), hoje aprovada na sua versão final, visa a aproximação de Portugal aos padrões de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia assegurando o equilíbrio das dimensões económica, social e ambiental do desenvolvimento, tendo uma profunda articulação com o Quadro de Referencia Estratégia Nacional, que servirá de suporte à programação de iniciativas co-financiadas por fundos comunitários no horizonte de 2007-2013.

Pretende-se que a ENDS seja um instrumento mobilizador da sociedade portuguesa, dos diferentes parceiros sociais e, individualmente, de cada cidadão, em particular para os desafios do desenvolvimento sustentável, aplicando as orientações da Estratégia Europeia de Desenvolvimento Sustentável, aprovada no Conselho Europeu de 9 de Junho de 2006.

Assim, após um período de discussão pública, consagra-se uma perspectiva de cidadania alargada e aprofundada na concretização dos vectores chave da Estratégia de Lisboa, apostando-se, designadamente, na qualificação dos portugueses e no aproveitamento do potencial científico, tecnológico e cultural como suportes de competitividade e coesão; na internacionalização e na preparação das empresas para a competição global; na sustentabilidade dos sistemas de protecção social e numa abordagem flexível e dinâmica dos processos de coesão; na gestão eficiente dos recursos e na protecção e valorização do ambiente, com adopção de soluções energéticas menos poluentes; na conectividade do País e na valorização equilibrada do território; no reforço da cooperação internacional e na melhoria da qualidade na prestação dos serviços públicos.

Deste modo, a ENDS está organizada em torno de sete objectivos estratégicos, desdobrados em prioridades e vectores: (i) Preparar Portugal para a «Sociedade do Conhecimento»; (ii) Crescimento Sustentado, Competitividade à Escala Global e Eficiência Energética; (iii) Melhor Ambiente e Valorização do Património; (iv) Mais Equidade, Igualdade de Oportunidades e Coesão Social; (v) Melhor Conectividade Internacional do País e Valorização Equilibrada do Território; (vi) Um Papel Activo de Portugal na Construção Europeia e na Cooperação Internacional e (vii) Uma Administração Pública mais Eficiente e Modernizada.

A ENDS tem como metas transversais para 2015 colocar Portugal num patamar de desenvolvimento económico mais próximo da média europeia, melhorar a posição do País no índice de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e reduzir o défice ecológico em Portugal.

O acompanhamento e monitorização da implementação da ENDS serão garantidos tecnicamente por um grupo de trabalho operacional, coordenado pelo Professor António Gonçalves Henriques, membro da equipa de projecto que elaborou a ENDS e actual ponto focal do Governo português junto da Comissão Europeia.

A equipa de projecto responsável pela elaboração da ENDS, presidida pelo Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, manterá a responsabilidade de acompanhar e avaliar a sua execução, tendo como objectivo fundamental assegurar a articulação com a implementação das outras estratégias de âmbito nacional, continuando, para o efeito, a contar com a rede de pontos focais da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, que integra os diversos ministérios.

in Portal do Governo

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT)

Wednesday, Jan 17 2007 11:51 Elaborada proposta de Lei para discussão e votação na Assembleia da República

Com esta Proposta de Lei, a submeter à aprovação da Assembleia da República, pretende-se aprovar o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), o qual, juntamente com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS), deve constituir o quadro de referência para as diversas intervenções com impacte territorial.

O PNPOT visa dotar o País de uma visão estratégia para as diversas políticas com incidência territorial, constituindo, também, um instrumento de cooperação com os demais Estados-membros para a organização do território da União Europeia.

O PNPOT estabelece, assim, as grandes opções com relevância para a organização do território nacional, consubstanciando o quadro de referência a considerar na elaboração dos demais instrumentos de gestão territorial.

Considerando que o ordenamento do território nacional deve traduzir e apoiar as grandes opções estratégicas definidas para o País, numa óptica de construção de unidade na diversidade, o PNPOT define como objectivos estratégicos a concretizar nos vários níveis de planeamento:

a) Conservar e valorizar a biodiversidade, os recursos e o património natural, paisagístico e cultural, utilizar de modo sustentável os recursos energéticos e geológicos, e prevenir e minimizar os riscos;

b) Reforçar a competitividade territorial de Portugal e a sua integração nos espaços ibérico, europeu, atlântico e global;

c) Promover o desenvolvimento policêntrico dos territórios e reforçar as infra-estruturas de suporte à integração e à coesão territoriais;

d) Assegurar a equidade territorial no provimento de infra-estruturas e de equipamentos colectivos e a universalidade no acesso aos serviços de interesse geral, promovendo a coesão social;

e) Expandir as redes e infra-estruturas avançadas de informação e comunicação e incentivar a sua crescente utilização pelos cidadãos, empresas e administração pública;

f) Reforçar a qualidade e a eficiência da gestão territorial, promovendo a participação informada, activa e responsável dos cidadãos e das instituições.

O programa de acção que integra o PNPOT desenvolve e concretiza estes objectivos estratégicos através de um conjunto de objectivos específicos, de medidas prioritárias e de orientações para os instrumentos de gestão territorial. A execução desse programa de acção será descentralizada a nível regional e sectorial, contando com o envolvimento e a co-responsabilização de todos os Ministérios na prossecução do objectivo comum de ordenar o território de Portugal.

in Portal do Governo

Descentralizar a Inovação

Tuesday, Jan 16 2007 10:07 Seria bom haver mais casos no país como o «cluster» das telecomunicações de Aveiro em torno da InovaRia. Emergiu um grupo de PME e atraíram-se multinacionais

Num mundo cada vez mais globalizado, os processos e funções das empresas tendem a localizar-se nos sítios onde a relação custo-benefício é mais atractiva. Esta realidade, que conduz muitas vezes a situações dramáticas de aumento de desemprego, começa a abranger não só as actividades de produção e de serviços de suporte, mas também as actividades de Investigação e Desenvolvimento.

Os grandes fornecedores têm já localizados nos países de maior potencial de crescimento, como a China e a Índia, pólos de I&D que, tirando partido da oferta abundante de quadros qualificados, complementam a capacidade dos centros de competência situados nos Estados Unidos e na Europa.

Assim sendo, para que uma política de atracção de investimento estrangeiro seja credível e sustentável ela terá que conseguir fixar actividades de I&D que garantam a participação das unidades localizadas em Portugal, na cadeia de valor do grupo empresarial a que pertencem.

Portugal terá assim que desenvolver uma estratégia concertada, envolvendo universidades, autarquias, agências governamentais, associações e empresas de referência, que permita criar condições competitivas para a atracção de investimento de qualidade. Esta estratégia implica fazer escolhas sectoriais e regionais por forma a criar a massa crítica necessária para poder competir no mercado mundial.

O «cluster» de telecomunicações existente em Aveiro é um exemplo de que é possível ter sucesso. Tendo como âncora a PT Inovação, o «cluster», hoje organizado em redor da associação Inova Ria, permitiu criar um número significativo de PME de base tecnológica e atrair empresas como a NEC e, mais recentemente, a Siemens. O volume de vendas ultrapassa já os cem milhões de euros, empregando mais de 1000 pessoas, na sua maioria engenheiros e técnicos. Estes quadros são oriundos essencialmente das universidades de Aveiro, Coimbra e Porto.

Seria bom que casos como este se pudessem multiplicar e alargar às diferentes regiões do país.

paulo.nordeste@sapo.pt

in Expresso, Paulo Nordeste

Desafios para a globalização

Monday, Jan 15 2007 10:46 Portugal deveria ter a ambição de se tornar um centro de excelência, atraindo talento de todo o mundo em áreas tecnológicas avançadas
As mudanças que se observam em múltiplas e diversificadas actividades económicas a nível mundial têm em comum a utilização do conhecimento e inovação como factores de competitividade. Enquanto que o valor económico do conhecimento depende da sua maior ou menor adequação às actividades geradoras de produtos e serviços, a relevância da inovação depende da sua maior ou menor adequação para os diferenciar.

Conhecimento e inovação com estas características só podem ser alicerçados num sistema de educação de alta qualidade e nivelado internacionalmente. A educação de nível superior terá que conceder prioridade aos domínios tecnológicos que suportam as indústrias de conhecimento intensivo e atribuir-lhes papel catalizador do desenvolvimento económico nacional. Será com o conhecimento e a inovação, mais do que com a intensidade de capital ou o custo de mão-de-obra, que será conquistada a competitividade internacional.

A rápida modernização do tecido industrial nacional de base tecnológica e, em particular, a emergência de sectores tecnológicos não tradicionais, requer a existência de condições estruturantes que garantam capacidade de engenharia, em quantidade e qualidade. Perante o desafio de terem que crescer rapidamente por força da dinâmica da competitividade mundial, as novas empresas tecnológicas serão inevitavelmente confrontadas com a necessidade de assegurarem um elevado e constante «in-flow» de engenharia de alta qualidade. A alternativa à dificuldade de se encontrar a curto e médio prazo a capacidade de engenharia nacional necessária só poderá ser o recurso à utilização de capacidade de engenharia estrangeira. Portugal deveria ter a ambição de se tornar num centro de excelência para a atracção de capacidades e talentos internacionais em domínios tecnológicos avançados, pelo impacto que resultaria na sustentabilidade a curto e médio prazo das novas empresas que ambicionam competir à escala global.

A não materialização deste objectivo conduzirá inevitavelmente à deslocalização internacional de centros de investigação e desenvolvimento para grandes centros de produção de engenharia altamente qualificada, de que são exemplos mais paradigmáticos a Índia e a China.

O desafio é grande, mas ainda maior será o impacto negativo que poderá ter para a sustentabilidade de um novo tecido industrial emergente em Portugal a incapacidade de o alimentar com a matéria-prima estratégica que o capital humano representa. Este desafio deverá representar um enorme estímulo para que ocorram muito rapidamente mudanças significativas promovidas por políticas de desenvolvimento acelerado de recursos internos e, sobretudo, de captação de recursos externos.

CEO da Chipidea

in Expresso, Epifânio da Franca

Edia dinamiza Museu da Luz

Sunday, Jan 14 2007 10:41 O Museu da Luz lança este ano um conjunto de iniciativas de dinamização para a comunidade dirigidas a um vasto leque de públicos. Os eventos a realizar em 2007 estão enquadrados no programa educativo em curso e têm como principal objectivo sensibilizar para a identidade cultural do espaço e do tempo de “Alqueva”.

A participação nas iniciativas exige inscrição prévia no Museu e as visitas orientadas desenvolvem-se em quatro vertentes: Museu da Luz e sua Colecção, Museu e Igreja da Luz, trajecto temático de Arqueologia e um outro de Arquitectura.

Os percursos privilegiam a descoberta do grande lago com passeio de barco, visita ao Museu e lugares de memória, contacto com as novas arquitecturas e passeio pela aldeia da luz.



Voz da Planície, Ana Elias de Freitas

As novas cidades-aeroporto

Saturday, Jan 13 2007 02:46
Os aerotropolis são vistos como uma estratégia de desenvolvimento económico para o século XXI

Os aeroportos são cada vez mais vistos como um motor da economia mundial. “Estas infra-estruturas vão ser determinantes na localização das empresas e dos negócios, assim como no desenvolvimento urbano para o século XXI, tal como as auto-estradas o foram no século XX, os caminhos-de-ferro no século XIX e os portos marítimos no século XVIII”, defende John Kasarda, o grande teórico dos ‘aerotropolis’ (vocábulo que resulta da combinação de aeroporto com metrópolis).

Este professor universitário americano, e director do Kenan Institute of Private Enterprise, advoga que, em vez de se construírem os aeroportos na periferia das cidades para serem o mais possível evitados, devemos antes transformá-los no centro e planear o resto da cidade à sua volta. Os aerotropolis são precisamente isso: cidades cujo centro é o aeroporto, rodeado de centenas de hectares de espaço industrial, escritórios, serviços de logística, hotéis, restaurantes, entretenimento e habitação.


Não é ficção


Apesar do conceito parecer futurista, quase ficção científica, os aerotropolis começam a ser uma realidade: na Ásia vários destes projectos estão em curso em Pequim, Seul, Xangai, Banguecoque e Kuala Lumpur. Nos Estados Unidos, estão planeados aerotropolis em Detroit, Memphis, Denver e Dallas. Na América do Sul, está previsto um em Belo Horizonte, no Brasil. E na Europa, o aeroporto de Amesterdão já começa a ganhar contornos de uma cidade-aeroporto.

Mas qual o grande objectivo dos aerotropolis? Tudo se prende com a evolução do comércio global. John Kasarda afirma que a questão crítica é a competitividade: “O comércio é cada vez mais global e exige maior rapidez de transporte, o que é feito cada vez menos pela via terrestre e mais por meio aéreo. As empresas valorizam mais a rapidez, agilidade e acessibilidade no fornecimento dos seus produtos e serviços aos clientes”, comenta.

Kasarda sublinha que, nos últimos 30 anos, o PIB Mundial cresceu 154% e o valor do comércio mundial cresceu 355%. Mas o valor da carga aérea disparou para um astronómico valor de 1395%.

Hoje 40% do valor económico de todos os bens produzidos no mundo é aerotransportado, assim como 70% de todas as compras feitas pela Internet. Dos vários projectos de aerotropolis em curso, o Dubai World Central é o mais megalómano.

A primeira fase de conclusão do aeroporto deste emirado será em finais de 2008 e terá uma cidade logística com 1,2 milhões de metros quadrados, servido por auto-estradas próprias com fábricas e armazéns para empresas como a Boeing, Caterpillar, Chanel, LMVH, Mitsubishi, Porsche e Rolls-Royce. Num segundo anel, estarão sediadas empresas como a IBM, Microsoft e Oracle.

No terceiro anel, surgirão habitações para 77 mil residentes, servidas de alguns dos maiores centros comerciais do mundo, campos de golfe, torres de escritórios e complexos de entretenimento.


in Expresso, Manuel Posser de Andrade
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