Investir em Portugal

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Porto perguntas sem resposta?

Sunday, Nov 5 2006 03:25 Elisa, Ferreira, Eurodeputada

Penso não fazer nenhuma revelação especial se disser que gosto muito da minha terra, o Porto, e que tenho imenso orgulho nela. No entanto, tal como acontece frequentemente com os filhos ou com os que nos são muito próximos, a excessiva aproximação reduz-nos por vezes a capacidade de ver as situações em perspectiva; nesses momentos, as opiniões ou reacções de "forasteiros", sejam eles nacionais ou estrangeiros, tornam-se um instrumento insubstituível de auto-conhecimento. Foi o que ocorreu comigo, há dias, ao participar numa reunião que levou à cidade do Porto um número interessante de portugueses cultos e bem informados; são precisamente algumas questões e perplexidades vindas dessas pessoas que fundamentam os comentários seguintes.

Uma primeira consideração, partilhada por quase todos, dizia respeito à qualidade das instalações do novo Aeroporto do Porto. Curiosamente, vivendo maioritariamente em Lisboa, muitos daqueles cidadãos começavam por desconhecer uma das melhores infra-estruturas nacionais. Logo depois veio a nota que já se tornou corrente tal como uma "bela adormecida", o novo aeroporto - limpo, arejado e moderno - exibe amplos corredores vazios, onde os passos e o rolar dos "trolleys" ecoam; e, verdade seja dita, o contraste é mais flagrante quando se tornam cada dia mais desagradáveis os atrasos frequentes e o ar superlotado, pouco cuidado e visual e fisicamente poluído do aeroporto da capital.

Daqueles atentos e activos cidadãos choveram diversas perguntas para as quais não tive resposta e que aqui quero partilhar. Por que é que o tráfego que sobrecarrega o actual aeroporto de Lisboa não é repartido com o Porto de forma a optimizar as duas infra-estruturas? Por que é que o aeroporto do Porto não se especializa em atrair as companhias "low-cost"? Por que é que, sendo o aeroporto do Porto muito mais qualificado que o de Vigo, há aparentemente mais portugueses a apanhar voos internacionais na Galiza do que galegos a fazer o inverso? Que estratégia de promoção do aeroporto do Porto está a ANA a seguir? Não seria recomendável uma autonomia relativa na gestão do aeroporto do Porto, à semelhança do reconhecido sucesso da gestão do porto de Leixões, para que algumas destas ineficiências encontrassem solução? Como irão os processos de privatização previstos influenciar a gestão desta magnífica infraestrutura?

Tantas perguntas rapidamente deram lugar a outras, mais prospectivas. Havendo já sobrecapacidade instalada, continua a justificar-se o novo aeroporto da Ota? E tendo o aeroporto do Porto interface com o metro, o aumento da velocidade ferroviária da ligação Porto-Lisboa e Porto-Vigo não obrigará a rever todo este quadro? Será que a anunciada antecipação da ligação a Vigo acabará por reforçar a atractividade do Porto em relação à Galiza ou será o contrário que vai ocorrer?

De novo, não fui capaz de responder, tal como não sou capaz de entender os valores a que se chegou nos cálculos que inicialmente justificaram que a penalização das SCUT ocorresse só no Norte; como confesso que também não sou capaz de dizer quais os novos projectos estruturantes que, no âmbito da nova fase de apoio da União Europeia, vão ajudar o Norte a sair do seu marasmo e a dar conteúdo à Estratégia de Lisboa na cidade e na região; como igualmente não sou capaz de saber o que será a Administração Pública quando o PRACE estiver implementado e que nível hierárquico terá ela na cidade e na Região…

A verdade, porém, é que temos de ter respostas, como sociedade, para estas e outras questões. Porque, mesmo que pessoalmente possa tentar obtê-las de forma parcelar e individual, em democracia as respostas e as estratégias, as decisões e a respectiva razão de ser têm de ser claras e de fazer sentido aos olhos dos cidadãos em geral.

É também verdade que, como diz o povo, "quem não aparece, esquece". O Porto e a região que naturalmente lidera, o Norte, apresentam um dos maiores índices de desemprego nacional e a tendência mais marcada de declínio a nível nacional, tal sendo uma das infelizes causas para a maior fatia de apoio comunitário que o país vai continuar a receber. Ora, uma região pobre de um país pobre não pode ser laxista nem tímida na defesa dos seus interesses nem, muito menos, dar-se ao luxo de gerir ou deixar gerir mal aquilo que tem de bom. As respostas existem e podem mesmo ser negociadas, desde que as perguntas surjam colocadas de forma clara por quem para tal tem legitimidade ou, mais do que isso, o dever de o fazer...

Elisa Ferreira escreve no JN, semanalmente, aos domingos

Trancoso vai ser «cidade biológica»

Sunday, Oct 29 2006 06:57 Vai ser a primeira em Portugal a acolher projecto e uma das primeiras do mundo
O Tribunal Europeu do Ambiente anunciou este sábado que vai instalar um projecto-piloto em Trancoso com vista à elaboração de uma «cidade biológica», informou à Agência Lusa o seu director no final de um encontro anual.

Segundo Emanuel Dimas de Melo Pimenta, arquitecto e músico, no encontro que decorreu entre quinta-feira e sábado naquela cidade, ficou estabelecido «colocar um projecto piloto em Trancoso, para a elaboração de uma cidade biológica, a primeira em Portugal e talvez umas das primeiras do mundo».

O projecto, adiantou, deverá avançar ainda este ano e será coordenado pelo arquitecto António Cerveira Pinto.

«Poderá - precisou - servir de base para o projecto que ele tem para Lisboa, que visa transformar a cidade e a região do Vale do Tejo na 1ª Grande Área Metropolitana Sustentável da Europa».

A ideia do arquitecto, projectada para ser desenvolvida na era pós-petrolífera, assenta na utilização de energias e meios de transporte alternativos e na «penalização de todas as industrias produtoras de CO2», como revelou durante o encontro anual daquele Tribunal, onde expôs o projecto, que está englobado na acção «O Grande Estuário».

O projecto baseia-se num novo conceito energético que prevê a reconversão de toda a economia da região da capital e numa clara aposta em desportos e actividades não poluentes, bem como o recurso a meios de transporte «amigos do ambiente».

Outra das decisões dos participantes no encontro internacional - realizado sob o tema «As Origens do Futuro» - está relacionada com a criação de um observatório «de todos os processos ambientais e sociais, a expandir entre a Índia, os Estados Unidos da América e Portugal», indicou Emanuel Dimas de Melo Pimenta.

A acção a desenvolver «nos próximos meses» servirá «para compreender as mudanças das nossas sociedades a todos os níveis e descobrir novos caminhos em termos ambientais».

in "Diário Digital"

Berkeley no iTunes

Thursday, Oct 26 2006 04:23

A Escola Superior de Berkeley, da Universidade da Calafórnia, partilha no iTunes as suas aulas!

Julgo que se trata de uma excelente iniciativa em nome da democratização do conhecimento.

Foi há 25 anos!

Sunday, Oct 22 2006 08:16 "No futuro, como vão os jovens universitários de hoje actualizar os seus conhecimentos?"



Onde está a nossa capacidade de inovar?
Porque motivo olhamos hoje para os nossos problemas sem "ousadia"?!

Para ti, mãe: "A ousadia é genial!"

Boa semana de trabalho!

Investimento em equipamentos cria défice no crescimento global de Serviços de TI em Portugal

Sunday, Oct 22 2006 03:17
O ritmo de crescimento para o sector de Tecnologias de Informação no mercado nacional é superior à média registada no resto da Europa o que leva a IDC a prever que entre 2005 e 2009 o investimento no sector leve a um crescimento acumulado de mais de 40 por cento em Portugal, mais 10 por cento do que é esperado no resto da Europa ao longo do mesmo período.

Contudo, é o mercado de equipamentos que obtém maior investimento por parte das empresas nacionais, superando os 54 por cento face aos "34 por cento da média europeia". Esta é uma realidade que tende a agravar com o aumento do peso específico do hardware, que deverá atingir os 60 por cento em 2009, em detrimento do sector de serviços, ou seja, o contrário do que se pode observar na Europa, onde este sector ocupa uma posição dominante.

A IDC reforça a sua previsão ao referir que, excluindo os serviços de outsourcing, o crescimento global dos serviços de TI entre 2005 e 2009 é seis por cento inferior aos valores registados nos restantes países europeus.

Estima-se que discrepância de investimentos entre os dois sectores acarrete impactos negativos ao nível da actividade dos fornecedores de TI, que obtêm "margens de lucros mais reduzidas na comercialização de equipamentos que em prestações de serviços", e nos índices de produtividade e competitividade dentro da comunidade utilizadora, já que a falta de investimentos gera "um fraco nível de definição estratégica e de planeamento", o que para a IDC é reflexo da lacuna estrutural existente no segmento empresarial português.

Paralelamente, também os investimentos em software representam valores superiores aos registados na média europeia, embora estejam abaixo dos números requeridos para a recuperação do atraso tecnológico e de organização. Mais uma vez, o crescimento neste segmento, é impulsionado pela actualização tecnológica e não tanto pela necessidade de investimento em aplicações e ferramentas de desenvolvimento.

Para 2006, a IDC, estima que o mercado global de TI seja dominado por um crescimento moderado, onde os principais players serão obrigados a repensar a sua "oferta de produtos e serviços em função das oportunidades de fusão e aquisição" e as estratégias de inovação - ao nível de clientes, de modelos de distribuição e de venda -, "adequados a um ambiente competitivo e em rápida mutação".

Contudo espera-se que as TIC obtenham um crescimento moderado, o que se reflecte junto dos fornecedores que apostam em novos produtos e serviços, mais modelos de negócio e "novos tipos de relacionamento com a comunidade utilizadora".

A aquisição de pequenas empresas, com especializações em determinados segmentos de mercado, assim como as fusões entre organizações continuarão a desempenhar um papel relevante junto do redimensionamento das empresas fornecedoras.

Prevê-se que o modelo Open Innovation venha potenciar a criatividade a partir de fontes externas à empresa, o que poderá trazer grandes mudanças ao nível de vários segmentos, "desde o open source até outras comunidades mais fechadas", já que, utiliza os benefícios da Internet para "acelerar o aumento da produtividade, constituindo uma importante contrapartida aos efeitos igualizadores da globalização", diz a consultora.

São esperadas novas versões de implementação online de aplicações por parte dos líderes de software aplicacional e estima-se que o "efeito Google" venha a expandir-se o que implica um impacto ao nível dos modelos de distribuição de software, agregação de conteúdos, publicidade, comunicações e media. Também os sectores financeiros, de transportes, de viagens ou de leilões iram sentir os reflexos desta tendência tecnológica, diz a IDC.

No entanto, a previsão aponta para a supremacia da tecnologia na oferta de serviços às empresas e aos consumidores, o que aumenta o "número de fabricantes de equipamentos extra-informática e o aumento da oferta de BPO".
in tek.sapo.pt

Dando as mãos

Friday, Oct 20 2006 05:35
Uma pequena pausa...

Como se reflecte a inovação nas empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria

Thursday, Oct 19 2006 10:20 Avaliar até que ponto a inovação é transferida para as empresas e incrementa, na prática, a sua competitividade, é o aspecto essencial de um estudo, de âmbito internacional, em que participa o Instituto de Estudos Regionais e Urbanos (IERU) da Universidade de Coimbra. No trabalho que aqui se apresenta, da autoria do Professor Henrique Albergaria, director do IERU, os dados permitem desde já avaliar, ainda que numa fase precoce, a capacidade das empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria em definir uma estratégia de desenvolvimento assente numa base tecnológica e no grau de integração que a inovação tem no seu tecido empresarial.
«Existe a convicção generalizada de que a inovação é o ingrediente mágico da competitividade e que sem ela nem as empresas sobrevivem facilmente, nem os países conseguem prosperar. Ciente da importância da inovação e procurando aumentar a competitividade europeia, constantemente ameaçada pelos EUA e por alguns países asiáticos, o Conselho Europeu, fixou em 2000 o objectivo de converter a União Europeia, no prazo de 10 anos, na economia baseada no conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo (objectivo que é conhecido como a Estratégia de Lisboa).
Os dados mais recentes revelam que os objectivos associados à estratégia de Lisboa, nomeadamente o de fazer subir até aos 3% as despesas de I&D no conjunto da EU, são inalcançáveis até 2010. Mais grave ainda, existe o risco da EU continuar a perder competitividade face aos seus concorrentes mais directos. Portugal, em particular, tem redobradas razões para investir na inovação dado que a intensidade de I&D no nosso país (1% do PIB) é cerca de metade da média comunitária.
Mas investir em inovação é apenas umas das facetas do problema. Do ponto de vista económico o que interessará, em definitivo, é avaliar até que ponto a inovação é transferida para as empresas e incrementa, na prática, a sua competitividade.
A informação estatística oficial fornece elementos esclarecedores sobre a importância da inovação nas empresas, embora, por motivos de colecta de informação, o tratamento dos dados se efectue à escala nacional, privilegiando-se assim a análise sectorial ou o estudo comparativo dos diferentes países europeus.
No entanto, embora muito menos estudada, a desigual capacidade das regiões em integrar a inovação nos seus tecidos produtivos é um tema que deveria merecer uma atenção particular dada a importância que tem para a elaboração de políticas que visam promover o desenvolvimento regional sustentado.
É essa a perspectiva do projecto ATI – Aglomeração Território e Inovação, projecto internacional financiado pelo programa INTERREG IIIB-SUDOE e coordenado pela Câmara de Comércio e Indústria de Pau-Béarn em que as questões de atractividade do território e da inovação são analisadas à escala regional e infra-regional. Enquanto parceiro do projecto, o IERU começou por desenvolver um trabalho exploratório que consistiu na análise sumária dos distritos do litoral da região Centro (Aveiro, Coimbra e Leiria) na óptica da inovação. É uma síntese desses resultados que aqui se apresenta.
1. A inovação nas empresas: fontes estatísticas

Tão importante quanto saber qual a situação e as tendências a nível nacional é analisar o potencial de inovação e a capacidade que a nível regional as empresas revelam para integrar a inovação na sua actividade. A análise do perfil produtivo dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria na óptica da inovação a partir dos resultados do CIS (Community Innovation Survey) corrobora essa ideia.
O CIS é um inquérito harmonizado às empresas dos países da UE que permite analisar o seu desempenho em matéria de inovação. Actualmente o CIS vai na sua 4.ª edição mas os dados que aqui se apresentam referem-se ao CIS III cujo período de referência é 1998-2000.
O universo considerado para a realização deste inquérito corresponde ao total de empresas com 10 ou mais trabalhadores e pertencentes aos sectores da indústria e dos serviços.
Para a selecção da amostra e recolha dos dados utilizou-se o método de amostragem estratificada segundo a dimensão das empresas (pequenas, com 10 a 49 trabalhadores, médias, com 50 a 249 trabalhadores e grandes, com mais de 250), e a actividade principal da empresa (3 classes e 42 actividades), pelo que os dados desagregados por distrito não têm representatividade a nível regional. Ainda assim, atendendo ao peso dos distritos analisados no total nacional, os resultados disponíveis permitem tirar algumas ilações relativamente à importância da inovação na actividade das empresas dos distritos estudados, assim como sobre o tipo de inovações introduzidas.
O número de empresas que constituem a população de referência para o CIS III em Portugal foi de cerca de 24.000 empresas, das quais 3.107 no distrito de Aveiro, 889 no distrito de Coimbra e 1.517 no distrito de Leiria.

2. Introdução de processos e produtos novos nas empresas de Aveiro, Coimbra e Leiria

Na óptica do CIS, o requisito mínimo para que se atribua a classificação de inovação é que o produto, processo, método de marketing ou organizacional seja novo (ou significativamente melhorado) para a empresa. Nessa pressuposto, que nos dizem os dados acerca da adopção de processos novos e a introdução no mercado de produtos novos?
Começando pela percentagem de empresas que afirmaram ter adoptado novos processos produtivos entre 1998 e 2000, constata-se que abaixo da média nacional (31,1% de respostas afirmativas), só figura o distrito de Leiria (27,0%). Pela positiva o destaque vai para o distrito de Coimbra que regista 47,6% de respostas afirmativas e depois para Aveiro (37,3%).
No que diz respeito à venda de produtos inovadores entre 1998 e 2000 (Quadro 1), constata-se que são muitas mais as empresas que lançam produtos novos para elas mas que já existem no mercado, do que as empresas que lançam produtos que são novos no mercado. Em ambos os casos o destaque vai para o distrito de Leiria. Assim, neste distrito, 28,7% das empresas declarou ter lançado um produto novo no mercado enquanto que em Coimbra essa percentagem foi de 21,7%, muito próximo da média nacional.
No que se refere ao lançamento de produtos que são apenas novos para as empresas que os fabricam mas que já existem no mercado, verifica-se que o destaque vai novamente para Leiria onde a taxa de respostas afirmativas atinge 40,8%, muito acima de Coimbra (28,7%) e da média nacional (27,9%).

3. Recursos humanos e financeiros afectos à inovação

No que respeita à avaliação dos recursos financeiros que as empresas afectam às actividades de inovação, os dados recolhidos permitem concluir que de todas as actividades consideradas, é na “aquisição de maquinaria e equipamento” que os montantes despendidos pelas empresas são mais avultados, atingindo 89% do total de despesas declaradas pelas empresas sedeadas no distrito de Coimbra (ver Quadro 2). Dos distritos em causa, é em Aveiro onde as despesas com a aquisição de novos equipamentos são menores, apesar de corresponderem a quase metade do total gasto em inovação. Neste distrito assumem particular relevância as despesas com “formação, marketing, projecto industrial e outros procedimentos”, aproximando-se mais da média nacional do que os restantes distritos.
No que diz respeito aos recursos humanos que se dedicam a actividades de investigação e desenvolvimento nas empresas (e medidos em ETI – equivalente tempo inteiro), o total nacional estimado no quadro do CIS III foi de 12.392 ETI. Desse total, 13% fazem parte de empresas localizadas no distrito de Aveiro, 9% localizam-se em Coimbra e apenas 3,3% em Leiria.

4. Mudanças estratégicas e organizacionais

Questionaram-se as empresas acerca de mudanças estratégicas e organizacionais ocorridas no período de 1998 a 2000 (Quadro 3). Constata-se que são as empresas leirienses as que mais inovam na estratégia e nas estruturas organizacionais, embora as empresas localizadas no distrito de Coimbra revele um desempenho satisfatório face à média nacional sobretudo no que diz respeito às mudanças estratégicas.
Na introdução de novas técnicas de gestão sobressaem as empresas de Coimbra, embora tanto Leiria como Aveiro apresentem também resultados superiores à média nacional. As empresas do distrito de Coimbra são ainda as que mais inovam nos conceitos de marketing e na estética dos produtos, apresentando, em ambos os casos, valores claramente acima da média do país.

5. Fontes de informação

Relativamente às fontes de informação de que resultaram sugestões para projectos de inovação o inquérito considera as fontes internas, as fontes de mercado, as fontes institucionais e outras. No Quadro 4 constam para cada tipo de fonte de inovação a percentagem de empresas de Aveiro, Coimbra e Leiria que atribuíram a nota “Alta” à utilização que fizeram da referida fonte.
Constata-se que as fontes internas de inovação, sobretudo as oriundas da própria empresa, assumem um papel preponderante na implementação de inovações já que mais de 35% das empresas nacionais reconhece a sua importância como “Alta”. Em termos regionais, verifica-se que as fontes oriundas da própria empresa são preponderantes e claramente acima da média nacional nos distritos de Aveiro e Leiria. As empresas do distrito de Coimbra revelam a particularidade de utilizarem em larga escala (metade do total) as fontes de inovação internas oriundas de outras empresas do grupo.
Relativamente às fontes de mercado, as respostas obtidas mostram que tanto os fornecedores como os clientes, constituem uma importante fonte de informação para uma elevado percentagem de empresas, com destaque para Aveiro e Leiria, distritos onde a taxa de respostas com a nota “Alta” em relação ao total das empresas está muito acima da média nacional. Os concorrentes, por outro lado, como seria de esperar, são a fonte de mercado a que as empresas menos recorrem.
No que diz respeito às fontes institucionais que as empresas têm ao dispor, designadamente o Ensino Superior e institutos de I&D, públicos ou privados, os dados disponíveis tornam bem evidente a sua fraca utilização. As respostas são muito insatisfatórias, principalmente tendo em conta que nestes distritos estão localizadas duas universidades públicas (Aveiro e Coimbra) e vários outros estabelecimentos de Ensino Superior ou Politécnico. Fica assim bem clara a debilidade das ligações Universidade – empresa para a transferência de conhecimentos e tecnologia, cujos efeitos poderiam ser muito favoráveis ao desempenho das empresas e ao seu posicionamento competitivo.
Nas outras fontes de informação, o destaque vai para as feiras e mostras de produtos, que 41,7% das empresas de Leiria e 37,2% de Aveiro consideraram ser um fonte de inovação “Alta”, percentagens bem superiores à média nacional (25,3%) e à registada no distrito de Coimbra (20,5%). Ao contrário, é diminuta a percentagem de empresários que atribui uma importância elevada às conferências, reuniões e publicações, enquanto fonte de inovação. Neste caso o destaque vai para Coimbra onde apenas 2,4% dos empresários classificaram esta fonte de inovação como “Alta”, percentagem bem abaixo da média nacional (8,6%).
Em jeito de conclusão, importa começar por recordar que os indicadores que definem o posicionamento de Portugal em matérias relacionadas com I&D e com a inovação, colocam o nosso País numa posição pouco invejável no contexto da União Europeia. Esta situação já de si indesejável, reflecte-se aparentemente de forma significativamente diferenciada a nível regional, como o sugere alguns dos apuramentos realizados a partir do CIS III relativos à inovação nas empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria.
É certo que a amostra do CIS III não foi construída para ser representativa a nível distrital e por isso os resultados aqui apresentados não podem ser interpretados sem esse alerta, embora a dimensão do enviesamento seja significativamente temperada pelo peso económica que os distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria têm no total nacional.
Contudo, a insuficiente representatividade dos dados para este nível espacial não compromete os aspectos essenciais da análise, interessando sobretudo, para cada um dos indicadores escolhidos, estimar a ordem de grandeza da diferença dos valores que separam os distritos entre eles e em relação à média nacional.
Assim, assumindo que o principal objectivo da análise é avaliar, ainda que grosseiramente, a capacidade de cada distrito em definir uma estratégia de desenvolvimento assente numa base tecnológica e no grau de integração que a inovação tem no seu tecido empresarial, os resultados apresentados sugerem a existência de situações muito diferenciadas que não deixarão de condicionar fortemente os cenários de desenvolvimento que é possível traçar para o seu futuro».

E ainda...

Doutorado em Economia na especialidade de Planeamento e Economia Regional, Henrique Soares de Albergaria, de 57 anos, é desde 1985 Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e tem leccionado também na Faculdade de Direito, desde 1995 no Curso de Estudos Europeus (Política Regional) e desde 2004 na licenciatura em Administração Pública (Economia Urbana).

Presidente do IERU (Instituto de Estudos Regionais e Urbanos) da Universidade de Coimbra) desde Outubro de 1991, Henrique Albergaria já foi director do INE na Região Centro (1991-2004), representante de Portugal no grupo de trabalho da OCDE sobre Indicadores Territoriais (1999-2004), no grupo de trabalho do Eurostat sobre Estatísticas Urbanas (1999-2002) e presidiu à Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (1996-2005).

O Instituto de Estudos Regionais e Urbanos (IERU) da Universidade de Coimbra é um organismo interdisciplinar de investigação e formação científicas nas áreas das problemáticas regional e urbana e do desenvolvimento. Constituído em 1986 na dependência directa da Reitoria, assumiu a forma de associação sem fins lucrativos em 24 de Julho de 1992.

Os objectivos principais do IERU são a promoção da investigação científica, a prestação de serviços a instituições públicas ou particulares e o ensino pluridisciplinar de estudos de pós-graduação. Nos anos mais recentes, o IERU tem desenvolvido projectos financiados pelos programas comunitários INTERREG e ESPON, e elaborado estudos para diversos organismos, principalmente Câmaras Municipais.

O IERU, com a Região de Lafões, participa no projecto AGATE (Agricultura, Aglomeração Atlântica & Território), financiado pelo programa europeu INTERREG IIIB - Espaço Atlântico e no qual estão envolvidos parceiros de vários países (Portugal, Espanha, França, Escócia e Irlanda) e que tem, entre outros, os seguintes objectivos: Desenvolver a interdependência entre as zonas rurais e os centros urbanos; promover a cooperação entre os actores locais e as parcerias público-privados; promover a emergência de projectos estruturantes para a região.

O CIUMED, no qual o IERU participa, é um projecto financiado pelo programa comunitário INTERREG IIIB SUDOE, cujo objectivo principal é contribuir para a promoção, no sudoeste europeu, de um sistema policêntrico e equilibrado de cidades, capaz de transmitir a todos os municípios, por mais pequenos que sejam, os impulsos do desenvolvimento económico e o bem-estar social.

O projecto ATI - Aglomeração Território e Inovação, no âmbito do qual o IERU elaborou o estudo que publicamos nestas páginas, visa melhorar o conhecimento dos territórios a fim de concretizar os parâmetros da sua atractividade; procurar as ligações entre a investigação universitária e a investigação aplicada à indústria na rede de cidades médias do Sudoeste europeu, a fim de favorecer e potenciar os grandes eixos de desenvolvimento económico e os recursos locais; integrar as cidades de média na rede de inovação a fim de identificar os seus recursos próprios e o seu potencial de desenvolvimento.


in Campeão das Provincias

Madrid, operação limpeza

Wednesday, Oct 18 2006 12:18 No seguimento do desafio lançado à BlueAngel, já anteriormente anunciado, publica-se a 2ª parte do texto sobre a viagem a Madrid, desta vez dedicado às operações de limpeza subsequentes à realização dos eventos.

Botellón, botelleo ou botellona é uma prática comum em Espanha desde finais do século XX. Trata-se do facto de levar bebidas alcoólicas, sumos, pequenos snacks e tabaco para as ruas e consumi-los com os amigos em qualquer lugar público, desde que fora de portas. Qualquer calle fica imunda e num estado lastimável depois de uma noite de animação e confraternização deste tipo. São garrafas pelo chão, copos em cada esquina, sacos de supermercado por todo o lado e lixo até perder de vista. O primeiro comentário natural perante este cenário é: “que nojo! Como é possível? Amanhã deverá ser impossível passar por aqui!” Enganem-se todos! Não é por acaso que o botellón foi proibido em Barcelona este ano. Não sei como se passava o pós-botellón na capital da Cataluna, mas em Madrid é impressionante a forma como o lixo é recolhido em três tempos e com método:

primeiro – o lixo é recolhido em montes separados ao longo das ruas;

segundo – os desperdícios são colocados em sacos próprios, atados com um nó e assim ficam em pequenos conjuntos;

terceiro – o carro do lixo passa e são recolhidos todos os sacos que estão de um dos lados da rua;

quarto – volta a passar o carro e os funcionários apanham os sacos que se encontram do lado oposto;

quinto – as ruas são lavadas com água com a passagem de carros próprios de lavagem.

E numa fracção de minutos as ruas recuperam um ar limpo e agradável. De manhã quando se regressa às calles parece que se está noutra cidade, mas ainda não se saiu do mesmo lugar.

O que há aqui de extraordinário é a capacidade de organização de nuestros hermanos e a forma como conseguem ter a casa em ordem depois da verdadeira tempestade por ali ter passado. A forma como toda esta operação está organizada e é posta em prática é a prova de que a logística madrilena no campo da limpeza e manutenção da cidade é uma máquina bem montada e em bom funcionamento. Só posso falar como espectadora, não falei com nenhum responsável por esta operação, fiquei impressionada pela forma como se pode colocar uma cidade de pé em poucas horas. Mais um exemplo que temos de anotar, afinal não temos por cá o botellón e as nossas ruas, às vezes, bem que precisavam de uma limpeza a sério. Saudações virtuais

BlueAngel

NB – informações mais detalhadas sobre o botellón

NB – as fotos são retiradas da net, mas reais. Por razões de segurança não era conveniente levar a máquina fotográfica para a rua à noite.

Inovação contradição

Monday, Oct 16 2006 08:13 Plano Tecnológico, Simplex, protocolo com o M.I.T, protocolo com a Microsoft... tudo para colocar Portugal na via da inovação.
O desígnio do país associa-se definitivamente ao conceito Inovação nos próximos anos.

Contudo, no blog dedicado à inovação e Inclusão, parece-me oportuno analisar o conceito e tentar alargar o espectro sobre o que parece ser a missão de uns quantos iluminados.
Incomoda-me que seja constantemente associado o conceito de inovação às novas tecnologias, electrónica, sistemas de informação... Significaria que as pessoas sem domínio das ciências informáticas, bioengenharias, micro-nano-tecnologias e outras ciências binárias, estariam afastados desta prioridade nacional.

Deixo portanto uma questão:
Num período em que se privilegia a inovação, há lugar para pessoas que não sejam peritos em microinformática, desenvolvimento de software,etc..., inovar?

Para além de info-exclusão, corremos o risco de "inov-exclusão", quando na realidade se nos colocam desafios em todos os sectores. É possível inovar em gestão? em comunicação? e no artesanato? agricultura? turismo? ensino?
Mais do que na forma e nos métodos, devemos também pensar e repensar conteúdos. Inovar na acepção de introduzir mais valia como forma de nos tornarmos mais competitivos.

Inovar com tradição?
É preciso lembrar que há um país distante dos pólos de investigação e dos centros tecnológicos. Gostaria portanto de ver a ruralidade inserida nos meandros da inovação. São extraordinários os desafios que se nos colocam. Para além da necessidade de estar na vanguarda dos progressos na ciência e tecnologias, temos o dever de confrontar inovação com um Portugal rural. Contradição? Na verdade, trata-se transformar inovação numa tradição, compromisso de uma geração para atenuar assimetrias interior/litoral.

Tavira prepara cooperação com empresas espanholas

Monday, Oct 16 2006 07:29
Na passada sexta-feira, dia 13, o Clube de Tavira fez a apresentação pública do estudo “Oportunidades de Negócio e Inovação no Concelho de Tavira”, integrado no projecto OTCE II – Iniciativa Comunitária INTERREG III – A. A iniciativa, desenvolvida pelo município de Tavira, em colaboração com o de Palma del Condado (Espanha), tem como objectivo promover e estabelecer sinergias de cooperação transfronteiriça entre as empresas instaladas naquelas cidades. No âmbito das acções integradas neste projecto, este estudo pretende avaliar o território de Tavira e equacionar as potencialidades de negócio e os quadros de intervenção municipal na promoção e oferta do seu território.

in Jornal do Algarve
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