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DESEMPREGO: Aumento de 61% entre licenciados em três anos

Friday, Feb 15 2008 08:52 O número de desempregados licenciados aumentou 61 por cento nos últimos três anos, disse à TSF o economista Eugénio Rosa. Cerca de 40 por cento são das Ciências Sociais, enquanto apenas nove por cento vêm das áreas tecnológicas.

O número de desempregados licenciados aumentou 61 por cento nos últimos três anos, disse à TSF o economista da CGTP Eugénio Rosa, esta sexta-feira, dia em que o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga os últimos números do desemprego em Portugal.

«O desemprego total, de acordo com os dados do INE, aumentou cerca de oito por cento, enquanto que o desemprego de portugueses com escolaridade superior aumentou à volta dos 61 por cento», disse.

Para o economista, isto acontece porque «há uma desadequação entre aquilo que as universidades estão a produzir em licenciaturas» e as «necessidades de desenvolvimento do país», ou seja, na criação de emprego.

Eugénio Rosa conferiu os dados estatísticos dos desempregados entre 2000 e 2006 e verificou que 40 por cento são de Ciências Sociais, sobretudo das áreas de «Educação, Artes, Humanidades, Sociologia, Psicologia, Direito e Jornalismo», enquanto que «apenas nove por cento» são das áreas tecnológicas.

«Há uma desproporção muito grande», porque a maior «parte dos licenciados são precisamente os que estão mais na situação de desemprego», frisou o economista da CGTP.

De acordo com os últimos números oficiais, existem actualmente 47 mil desempregados com licenciatura.

A TSF ouviu alguns desempregados licenciados, entre os quais Rui, que é licenciado em Física e Química e que se revolta quando ouve os governantes dizerem que é necessário apostar na formação profissional.

Para além de apostar na qualificação, «é preciso termos emprego para que essa formação tenha continuidade após as saídas da faculdade», disse, lembrando que muitos licenciados estão a trabalhar em áreas diferentes daquelas que queriam seguir.

Teresa, que tirou o curso de Arquitectura e é empregada de mesa, entende que não consegue emprego na sua área, porque o seu curso insere-se num «meio muito fechado e competitivo», onde preferem pagar menos a quem não tem formação específica.

in TSF

Uma notícia pouco abonatória para um país que tem boa parte dos seus trabalhadores intelectuais a fazer trabalhos manuais.
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