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Consumismo e endividamento

Monday, Mar 17 2008 08:58 Um número significativo de portugueses, obcecados pelo consumo, vive em situação de sobreendividamento ao longo de toda a vida

Nas duas últimas décadas o consumismo tornou-se uma doença em Portugal, levando a um endividamento recorde das nossas famílias. Na zona Euro apenas a Holanda nos supera no grau de endividamento dos particulares, ao mesmo tempo que a dívida das empresas atingiu o nível mais elevado dos países da zona, fazendo do endividamento um problema preocupante do nosso país.

Em menos de duas décadas, o peso das dívidas no rendimento disponível passou de 19,5% em 1990 para 124% em 2006, enquanto a taxa de poupança caiu de quase 20% para 8,3% apenas: a mais baixa da União Europeia.

O fenómeno não é só nosso, verificando-se também em países ricos como os EUA, a Inglaterra e a Holanda, e bem assim em Espanha; mas tornou-se particularmente preocupante entre nós. Uma parte muito elevada do endividamento das famílias portuguesas consiste em crédito hipotecário para pagar a habitação, mas o crédito ao consumo representa também uma porção importante. E, à semelhança do que sucede no país vizinho, um número significativo de portugueses, obcecados pelo consumo, vive em situação de sobreendividamento ao longo de toda a vida.

Como nota Octávio Uria, professor de Sociologia da Universidade Juan Carlos de Madrid, muitas famílias endividam-se hoje sem necessidade imperiosa, e apenas para satisfazer o desejo de possuir bens a que antes não tinham acesso e que pensam que lhes dão uma melhor posição social. Antes, estes casos eram raros, mas hoje, especialmente nas gerações mais jovens, a ânsia de comprar tornou-se uma autêntica doença ou «addiction», como a droga, a que não resistem, e que as leva a adquirir sem se pôr o problema de saber como vão pagar, fazendo simplesmente aumentar o volume de crédito malparado. Em Espanha, cerca de metade dos jovens consome em excesso, sem se preocupar em poupar, recorrendo ao crédito para depois passarem a vida num estado permanente endividamento.

Não dispomos de dados semelhantes para o nosso país, mas aqueles que possuímos mostram também que há cada vez mais gente nessa situação. Como alguém disse, já se não constroem catedrais, mas multiplicam-se os centros comerciais, ou templos do consumismo, que constituem cada vez mais lugares de atracção, sob a pressão de uma publicidade agressiva e por vezes enganadora!

in EXPRESSO, Valentim Xavier Pintado, Professor da FCEE- Católica
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