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SEDES alerta para "mal-estar" na sociedade

Friday, Feb 22 2008 08:43 Lisboa, 22 Fev (Lusa) - A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) alertou quinta-feira para um "mal-estar" na sociedade portuguesa que, a manter-se, poderá originar uma "crise social de contornos difíceis de prever".

Em comunicado divulgado no seu portal, a SEDES sustenta que "sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional".

Esse "mal-estar" deve-se a "sinais de degradação da qualidade cívica", como a "degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários", a "combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma Justiça ineficaz" e o aumento da "criminalidade violenta" e do "sentimento de insegurança entre os cidadãos".

A SEDES adverte que, a manter-se o "mal-estar e a degradação da confiança (...), emergirá, mais ou cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever".

Por isso, a associação apela à intervenção da sociedade civil mas sobretudo do Presidente da República e dos partidos políticos com representação parlamentar.

O comunicado é assinado pelo conselho coordenador, do qual fazem parte Vítor Bento, que o preside, Alves Monteiro, Luís Barata, Campos e Cunha, Ferreira do Amaral, Henrique Neto, Ribeiro Mendes, Paulo Sande e Amílcar Theias.

Criada em 1970, a SEDES é uma estrutura que tem como preocupação reflectir sobre a situação económico-social do país.

No comunicado, a associação manifesta a sua preocupação com "o afunilamento da qualidade dos partidos", devido à "dificuldade em atraírem e reterem os cidadãos mais qualificados" e a "critérios de selecção cada vez mais favoráveis à gestão de interesses".

A SEDES critica igualmente a "tentacular expansão da influência partidária na ocupação do Estado e na articulação com interesses da economia privada".

Para a estrutura, a "combinação" entre uma "comunicação social sensacionalista" e uma "Justiça ineficaz" traduz-se num "estado de suspeição generalizada sobre a classe política", que leva ao afastamento de "muitas pessoas sérias e competentes da política, empobrecendo-a".

A "banalização da suspeita" nos media e a "incapacidade" da Justiça em "condenar os culpados (e ilibar os inocentes)" favorecem os "mal-intencionados", o que conduz à "desacreditação do sistema político", reforça a SEDES.

A associação considera que o Estado "tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade": deixa cada vez menos espaço "verdadeiramente livre para a iniciativa privada" e "demite-se, muitas vezes, do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados".

Referindo-se à criminalidade, o comunicado aponta a falta de "uma acção consistente - da prevenção, investigação e da Justiça - para transmitir a desejada tranquilidade" e uma "espécie de fundamentalismo ultra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso" do Estado.

"Calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodioviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou", sublinhou a SEDES, responsabilizando os legisladores portugueses, que "transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas" europeias.

Para a "regeneração" da sociedade portuguesa, a associação advoga que os partidos políticos devem "abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência (...) e desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos".



Lusa/ER.
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